A história do Pititico, gato da médica-veterinária Caroline Garcia (CRMV 30138), não começa com uma aposta na Cannabis medicinal. Começa, na verdade, com um esgotamento. Depois de meses de tratamento, ajustes sucessivos e respostas apenas parciais, o que se acumulava não era exatamente melhora, mas uma espécie de estabilidade incompleta, o que era bem desgastante para ambos: tutora e animal.
Era o suficiente para manter o quadro sob controle, mas não o bastante para devolver qualidade de vida. “Ele ficava 60%, 70% bem… mas nunca estava realmente bem”, explica Caroline durante a entrevista. Pititico, tinha seis anos quando desenvolveu um quadro de tríade felina, condição inflamatória complexa que envolve intestino, fígado e pâncreas.
Desde o início, o manejo seguiu o que se espera da prática clínica: corticoides, imunossupressores, suporte intestinal, ajustes frequentes. Nada foi negligenciado. Mas também nada parecia resolver de fato. Quando tratar não é o mesmo que estabilizar: Cannabis medicinal no manejo da tríade felina em gatos Ao longo dos meses, o protocolo foi sendo ampliado.
Entraram probióticos, reposição de enzimas, trocas sucessivas de medicações. Em alguns momentos, Pititico parecia responder. Em outros, voltava a piorar. Era um equilíbrio frágil. A rotina se tornou uma tentativa constante de ajustar variáveis — sem nunca alcançar um ponto de estabilidade real. “Eram muitas medicações.
E, mesmo assim, ele não tinha uma qualidade de vida boa.” Com o tempo, o quadro se complexificou ainda mais. O surgimento de novos sinais Além da doença inflamatória, Pititico passou a apresentar sinais compatíveis com hiperestesia felina — uma condição que envolve desconforto sensorial e alterações comportamentais.
“Ele se isolava, reagia ao próprio corpo, apresentava episódios após idas à caixa de areia, especialmente quando havia diarreia. A associação entre os sintomas físicos e comportamentais criava um ciclo difícil de interromper. Ele não estava bem. Era um conjunto de coisas”, explica a tutora.
Nesse ponto, o tratamento já não era apenas clínico, era também uma tentativa de recuperar algum nível de conforto para o animal. A decisão que veio sem expectativa A Cannabis medicinal entrou nesse cenário sem grandes expectativas. Caroline ainda não tinha conhecimento na área e, como ela mesma descreve, a decisão veio mais como uma tentativa final do que como uma estratégia planejada.
“Eu fui sem expectativa nenhuma. Era mais uma tentativa depois de tudo que já tinha feito.” Antes mesmo de uma consulta especializada, iniciou o uso de um óleo por indicação de um colega com cautela e sem alterar o restante do protocolo. A resposta inicial, embora discreta, foi suficiente para chamar atenção.
“O que era 60%, 70% de melhora subiu para uns 80%”, analisa. Quando o ajuste faz diferença Com acompanhamento veterinário, o tratamento foi então ajustado de forma mais precisa, levando em conta o perfil inflamatório do caso. A partir desse momento, a evolução deixou de ser irregular.
Com o passar das semanas, Caroline começou a reduzir, de forma gradual, a carga de medicações convencionais — algo que até então não havia sido possível. Em cerca de um mês e meio a dois meses, o cenário era outro. Pititico já não dependia da mesma quantidade de fármacos e apresentava um quadro mais estável, com melhora consistente na qualidade de vida. “Ele ficou bem”, resume.
O impacto que ultrapassa o caso clínico A experiência não ficou restrita ao âmbito pessoal. No ano seguinte, Caroline buscou um curso sobre medicina canabinoide. O que começou como uma tentativa em casa passou a integrar sua prática clínica. Hoje, segundo ela, uma parte significativa dos atendimentos já chega com essa demanda.
“Os tutores vêm porque ouviram falar, porque viram na internet, ou porque alguém indicou.” Na rotina do consultório, os efeitos observados se repetem com frequência: melhora de sintomas, maior estabilidade em quadros crônicos e, em muitos casos, redução da necessidade de medicações convencionais.
“Na maioria dos casos, consigo diminuir a carga de medicação.” Leia também: Entre resgates, fraturas e síndrome vestibular: como a cannabis medicinal mudou a vida da pug Frida Um movimento que começa fora da clínica Para Caroline, o crescimento da Cannabis na veterinária não começou dentro da profissão — começou com os tutores.
Foi a busca por alternativas, impulsionada por experiências e informações compartilhadas, que abriu espaço para que a terapia ganhasse relevância. “Isso veio muito da medicina humana e dos próprios tutores.” Com o aumento da demanda, vieram também os cursos, as discussões clínicas e, mais recentemente, avanços regulatórios que trouxeram maior segurança para a prescrição.
Quando a prática muda o olhar O caso de Pititico não foi apenas um tratamento bem-sucedido. Foi o que levou uma veterinária a incorporar uma nova ferramenta terapêutica à sua prática — não por tendência, mas por experiência direta. “Foi o que me fez buscar conhecimento para poder prescrever com segurança.” Histórias como essa não são lineares.
Elas passam por tentativa, frustração, ajuste e, às vezes, por caminhos que não estavam no plano inicial. No caso de Pititico, foi justamente esse percurso (mais do que um resultado isolado) que transformou a forma de cuidar.
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