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Estudo de caso: cavalo com estereotipia melhora após uso de canabidiol

Cannabis & Saúde 17/04/2026 14:12

Uma égua idosa vivia há mais de uma década com comportamento repetitivo, pouco apetite e sinais claros de sofrimento. Esse foi o ponto de partida de um estudo de caso publicado na revista científica Veterinary and Animal Science. Uma transformação na vida do cavalo viria com um tratamento ainda pouco explorado na medicina veterinária: o canabidiol (CBD).

O caso ajuda a entender o potencial da Cannabis na medicina veterinária. O estudo mostra como o uso desses compostos pode abrir novos caminhos para melhorar o bem-estar animal, especialmente quando os tratamentos convencionais falham. Uma vida marcada por angústia A figura central do estudo era uma égua de 22 anos. Ela apresentava, há cerca de 15 anos, um comportamento repetitivo chamado crib-biting.

Esses comportamentos repetitivos, chamados de estereotipias, são ações automáticas, sem uma finalidade clara. Eles costumam surgir quando o animal vive sob: • Estresse constante • Ambiente restrito • Falta de estímulos naturais Em cavalos, esses comportamentos são um sinal de sofrimento e baixo bem-estar. O que é o crib-biting O crib-biting é uma das estereotipias mais comuns em cavalos.

Nesse comportamento, o animal apoia os dentes em uma superfície (como porta ou cerca), força o pescoço e suga o ar.

Esse comportamento pode causar: • Desgaste dos dentes • Problemas digestivos • Perda de peso • Piora geral da saúde Antes do CBD: quando nada funcionava Antes de iniciar o tratamento com CBD, a condição da égua era preocupante: • Cerca de 15 horas por dia praticando crib-biting • Baixo peso e perda muscular • Pouco interesse por comida • Desgaste severo nos dentes • Falta de energia Para tentar melhorar o quadro, os veterinários fizeram mudanças no ambiente, ajustaram a dieta e até usaram tranquilizantes, como acepromazina.

No entanto, não houve melhora. A Cannabis como recurso Diante da falta de respostas do cavalo às terapias, os veterinários optaram pelo uso de canabidiol. Após suspender outras medicações, iniciaram um protocolo com CBD: • Dose: 0,5 mg/kg • Frequência: duas vezes ao dia • Via: oral • Duração: cerca de 30 dias A rotina e a alimentação da égua foram mantidas.

Isso ajudou a garantir que os efeitos observados fossem resultado da inclusão do CBD. Resultados já nas primeiras horas Os efeitos foram notados rapidamente. Já na primeira hora após a primeira dose, a égua demonstrou mais interesse por comida e aumento do apetite. Ao longo das semanas, houve melhora no estado emocional e redução progressiva do comportamento repetitivo.

Após os 30 dias: • A estereotipia caiu de 15 horas/dia para menos de 1 hora. • A égua ganhou 52 kg • Houve melhora da massa muscular • O pelo ficou mais brilhante • O comportamento se tornou mais ativo Além disso, nenhum efeito colateral foi observado durante o tratamento. Como o canabidiol age no cérebro De acordo com o estudo, dois mecanismos principais explicam os efeitos positivos do canabidiol no cavalo.

Dopamina e serotonina O CBD ajuda a equilibrar a atividade de substâncias no cérebro, como: • Dopamina: ligada à motivação • Serotonina: relacionada ao humor e bem-estar Esse equilíbrio pode ajudar a reduzir comportamentos compulsivos e aumentar o interesse por atividades cotidianas, como comer. Redução da ansiedade O CBD também tem efeito ansiolítico.

Na prática, isso se traduz em menos estresse e menos comportamentos repetitivos, como o crib-biting. Esse efeito seria relevante porque as estereotipias estão diretamente ligadas ao estresse crônico. A sequência de fotos ilustra a evolução da égua com o uso de canabidiol. a) Desgaste e erosão desiguais dos dentes devido ao hábito de morder a madeira.

b) Égua costumava ficar em pé na parte de trás da baia, apoiando a cabeça na porta, mordendo-a, com flexão do pescoço e respiração posterior para inalar ar. c-e) Evolução da paciente antes, durante e após a terapia com CBD | Foto: divulgação Veterinary and Animal Science Um novo caminho para a medicina veterinária Este é apenas um estudo de caso. Ainda assim, os resultados chamam atenção.

Eles indicam que terapias com canabinoides podem ganhar espaço também em animais de grande porte. O caso mostra que o canabidiol pode ser uma alternativa promissora para o bem-estar de um cavalo com estereotipias graves, especialmente quando nada funciona. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza a prescrição de medicamentos à base de Cannabis por médicos veterinários desde 2024.

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Créditos: Cannabis & Saúde.