O 20 de abril, data que se tornou referência mundial para o movimento em torno da Cannabis, costuma motivar debates sobre saúde, cultura e regulamentação. Neste 4/20, propomos olhar para o passado. Um estudo arqueológico publicado recentemente indica que a planta era cultivada, preparada e consumida como alimento há cerca de 4.500 anos.
Esses achados vieram de partes muito pequenas e resistentes da planta: os fitólitos. História milenar contada por vestígios invisíveis Nos sítios arqueológicos de Beitaishang e Qianzhongzitou, em Shandong, província no leste da China, a equipe de pesquisa encontrou vestígios (fitólitos) de Cannabis datados entre o Neolítico Final e o início da Idade do Bronze, entre aproximadamente 4.500 e 3.400 anos atrás.
A presença desses fitólitos nos sítios ultrapassou 50% das amostras analisadas. Em algumas camadas, eles apareceram junto a culturas básicas de grãos, como painço e arroz. Essa associação ocorreu em mais de 84% dos registros. O que são fitólitos e por que eles importam Fitólitos são partículas minerais microscópicas presentes dentro das células vegetais. Quando a planta absorve água do solo, também absorve sílica.
Quando uma planta morre e se decompõe, a sílica permanece no solo por milhares de anos. Nesse sentido, elas funcionam como uma espécie de “impressão digital” da planta. Enquanto sementes e outras partes se deterioram com o tempo, os fitólitos são extremamente resistentes. Por isso, ajudam a identificar espécies e entender o desenvolvimento da agricultura.
A deterioração de materiais orgânicos como sementes, pólen e fibras dificulta esse tipo de estudo. Os fitólitos contornam esse problema, pois sobrevivem por milhares de anos. Província de Shandong fica ao leste da atual China, em região rica em história. | Foto: Google Maps Cannabis entre os “cinco grãos” De acordo com o estudo, na China antiga existia um conceito conhecido como wu gu, os “cinco grãos”.
Essas eram plantas fundamentais para a alimentação e ajudaram aquela civilização a prosperar. Segundo os autores, a Cannabis fazia parte dessa lista. Os fitólitos de Cannabis foram encontrados principalmente em ambientes domésticos, como fossas de cinzas e estruturas que serviam como moradia. Esses são locais típicos de preparo e consumo de alimentos no cotidiano.
Da domesticação à diversificação da planta Um estudo anterior, publicado em 2021, indicava que a Cannabis teria sido domesticada pela primeira vez pela humanidade no leste da Ásia, no início do Neolítico, há cerca de 12 mil anos. Por volta de 4 mil anos atrás, a planta teria começado a se diversificar sob influência humana.
A seleção feita pelos cultivadores da época deu origem a variedades otimizadas para a produção de fibras, sementes ou canabinoides. O novo estudo acrescenta que, nesse período, a Cannabis já era parte da economia agrícola. Ou seja, já fazia parte do dia a dia de comunidades inteiras na região da atual China.
O consumo ancestral das partes da planta No estudo, os fitólitos confirmam a presença da planta, mas não permitem identificar com precisão qual parte era consumida (sementes, folhas ou flores), nem como era preparada. O contexto doméstico sugere uso para alimentação. Ainda assim, é possível que também houvesse uso medicinal ou ritual.
O que se pode afirmar com segurança é que a Cannabis era extremamente familiar àquelas populações. Do passado à medicina moderna Atualmente, os compostos da Cannabis são objeto de estudos clínicos e debates legislativos em todo o mundo. No entanto, por muitas gerações, a planta fez parte da alimentação humana. O dia 4/20 pode ir além da história do grupo “The Waldos”, da Escola San Rafael, na Califórnia.
A relação da humanidade com a Cannabis é muito mais antiga, remontando ao aperfeiçoamento da agricultura. Hoje em dia, existe uma grande variedade de usos terapêuticos e industriais da planta. Na medicina, estudos indicam potencial para transformar radicalmente o tratamento de diferentes condições de saúde, como dores crônicas, epilepsia e transtorno do espectro autista.
No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Então, se você ou alguém próximo deseja incluir esses produtos no cuidado à saúde, é importante buscar orientação profissional.
Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.
