InícioNotíciasNotícia

Atualizações sobre Cannabis Medicinal

Seleção automática de fontes confiáveis, com foco em evidências, segurança terapêutica e contexto clínico.

Voltar para Notícias

CONIME reforça protagonismo da medicina canabinoide e amplia debate científico no Brasil

Cannabis & Saúde 19/03/2026 21:31

A medicina canabinoide tem avançado no Brasil e no mundo, tanto na pesquisa quanto na prática clínica. E é nesse contexto de grande movimento no setor, que o II Congresso Internacional de Medicina Endocanabinoide (CONIME) propõe discutir evidências, aplicações clínicas e, claro, os desafios da área.

O evento acontece entre os dias 26 e 28 de março, em São Paulo, e reúne profissionais de diferentes áreas em torno de um campo que ainda está em consolidação, especialmente na formação médica. Para o ortopedista, médico do esporte e presidente da APMC, José Wilson Nunes V. de Andrade, o congresso acompanha um movimento mais amplo de crescimento da área.

“O CONIME busca se consolidar como um marco na América Latina e uma referência no estudo e aplicação da medicina canabinoide. Estamos em um cenário de expansão acelerada, com avanço científico, novas aplicações terapêuticas e impacto direto em saúde, pesquisa e políticas públicas.” Integração entre áreas muda abordagem clínica Um dos pontos centrais do congresso é a proposta multidisciplinar.

Justamente por isso, o encontro reúne médicos, cientistas, farmacêuticos, odontologistas, veterinários e profissionais ligados à regulação, ampliando a discussão sobre o sistema endocanabinoide. Para José Wilson, essa integração é fundamental para o avanço da prática clínica. Não à toa, multidisciplinaridade é um pilar do CONIME.

“Quando diferentes áreas se conectam, conseguimos uma visão mais integrada do sistema endocanabinoide, que funciona como um ‘maestro’ regulador do organismo.” Para ele, essa leitura mais ampla permite abordagens menos fragmentadas no cuidado ao paciente.

“Isso resulta em práticas mais seguras, redução da polifarmácia e tratamentos mais integrativos, principalmente em condições crônicas, onde muitas vezes os modelos tradicionais não conseguem dar conta.” Avanços científicos e novas aplicações Entre os temas em destaque estão os avanços na compreensão do chamado “SEC expandido” e sua atuação em processos como neuroinflamação, dor crônica — especialmente a nociplástica — e regulação da homeostase.

Também ganham espaço as aplicações em doenças neurológicas, oncológicas e distúrbios metabólicos. “Esses avanços apontam para uma medicina mais precisa, com menos efeitos colaterais e maior integração clínica.

A tendência é transformar o manejo de patologias crônicas que ainda são difíceis de tratar pelos métodos convencionais.” Conexão com a pesquisa internacional A programação inclui pesquisadores internacionais como Lumír Ondřej Hanuš, Manuel Guzmán, Adi Aran, Dedi Meiri, Yossi Tam e Debra Kahrson, que atuam em centros onde a pesquisa na área já está mais consolidada.

Para José Wilson, essa troca tem impacto direto no cenário brasileiro. “O contato com esses especialistas permite acesso a evidências recentes e novas perspectivas sobre aplicações terapêuticas, além de fomentar colaborações internacionais.” Entre os temas discutidos estão autismo, câncer, dor crônica, neuroproteção e modulação do sistema endocanabinoide.

Brasil avança, mas formação médica ainda é desafio O Brasil tem ampliado sua participação na área, acompanhando o crescimento da produção científica e os avanços na regulamentação. Esse movimento, segundo José Wilson, já começa a reposicionar o país no cenário internacional. “A pesquisa cresce diariamente, e o país já se posiciona como um polo relevante.

A Anvisa tem avançado na regulamentação, facilitando produção, segurança e acesso, que vem se ampliando em diferentes especialidades.” Esse avanço, no entanto, não acontece de forma homogênea. Na avaliação do especialista, a formação médica ainda não acompanha o ritmo das mudanças. “A falta de educação formal sobre endocanabinologia nas faculdades ainda é um desafio.

Muitos profissionais têm interesse, mas não tiveram contato com esse conteúdo durante a formação. O campo evolui rapidamente, com novas descobertas, mudanças regulatórias e maior reconhecimento do potencial terapêutico dos canabinoides. O Nesse contexto, a atualização profissional deixa de ser complementar. CONIME surge como uma oportunidade de atualização multidisciplinar”, diz.

“Ao se atualizarem, os profissionais conseguem integrar práticas baseadas em evidências, oferecer tratamentos mais seguros e reduzir a polifarmácia. Isso é essencial para melhorar a assistência e acompanhar a evolução da medicina.” Serviço  O II Congresso Internacional de Medicina Endocanabinoide (CONIME) acontece de 26 a 28 de março, em São Paulo.

O evento reúne profissionais de diferentes áreas para discutir evidências, aplicações clínicas e os desafios da medicina canabinoide. A programação inclui palestrantes nacionais e internacionais e atividades voltadas à prática clínica. Mais informações e inscrições neste link. 

Créditos: Cannabis & Saúde.