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Cannabis e ansiedade: “É um cuidado que não me silencia, me organiza”

Cannabis & Saúde 17/04/2026 12:37

Aos 26 anos, o publicitário Yuri Hoclle aprendeu, na prática, que saúde mental não é um detalhe, é o eixo que sustenta todas as outras áreas da vida. Diretor criativo e à frente de uma agência, ele passou a última década tentando nomear sensações que, por muito tempo, pareciam difusas: insônia persistente, angústia no peito, pensamentos acelerados e uma ansiedade que atravessava até sua forma de se expressar.

“Se a minha mente não está sendo cuidada, as outras áreas desorganizam também”, resume. O diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) veio após anos de acompanhamento com psicólogos e psiquiatras. Nesse percurso, Yuri também enfrentou episódios de paralisia do sono e desafios relacionados à fluência da fala, fator particularmente sensível em uma profissão que exige comunicação constante.

Criado em um ambiente religioso, ele conta que demorou a dissociar o sofrimento psíquico de interpretações morais ou espirituais. “Não é falta de Deus. Existe tratamento. Existe ciência. Mas, dependendo de onde você vem, há muito preconceito até entender isso.” Entre tentativas e efeitos colaterais Antes de encontrar uma abordagem que funcionasse, Yuri passou por diferentes medicações convencionais.

Embora reconheça a importância desses tratamentos, sua experiência individual foi marcada por efeitos adversos. “Tive enjoos, febre, e o principal: me sentia neutralizado. Nem bem, nem mal. Apenas sem me reconhecer. Para quem trabalha com criatividade, isso é devastador.” A sensação de desconexão consigo mesmo acendeu um alerta.

“Como algo que deveria me ajudar estava, na prática, me afastando de quem eu sou?” Foi nesse contexto que, em acompanhamento com o médico Vinícius Pereira de Mesquita, Yuri conheceu a possibilidade do uso de Cannabis medicinal. O encontro com o CBD O início do tratamento, em dezembro de 2024, marcou uma virada.

Com prescrição médica, ele passou a utilizar óleos à base de Canabidiol (CBD) e uma formulação combinada com THC, ajustando as doses de forma gradual e monitorada. A primeira experiência foi, segundo ele, reveladora: “Eu estava há dias sem dormir direito. Quando tomei as primeiras gotas, foi como se as vozes na minha cabeça silenciassem. O peito acalmou.

Eu pensei: ‘é isso que é paz?’” Mais do que o alívio imediato, o impacto se mostrou consistente ao longo do tempo. Yuri relata melhora na qualidade do sono, redução das crises de ansiedade e maior estabilidade emocional no cotidiano profissional. Autoconhecimento como parte do tratamento O processo, no entanto, não foi automático.

Yuri descreve o tratamento como uma construção ativa, que envolveu observar o próprio corpo, ajustar dosagens e entender contextos. “O tratamento também passa por esse tipo de escuta”, analisa. Além da medicação, ele incorporou outras estratégias, como a prática regular de atividade física, que considera fundamental na regulação da ansiedade. “Comecei a treinar de manhã, e isso mudou meu dia inteiro.

Ganhei energia, melhorei o humor, voltei a confiar em mim.” Criatividade, sensibilidade e retomada Se antes a ansiedade bloqueava sua expressão, hoje Yuri percebe um movimento inverso. A sensibilidade (elemento central em sua atuação criativa) deixou de ser sobrecarga e passou a ser ferramenta. “Eu sempre fui sensível à arte, à música. Mas a vida adulta, com suas pressões, vai abafando isso.

O CBD me devolveu esse lugar. É um cuidado que não me silencia, me organiza.” Ele conta que voltou a desenvolver projetos autorais, escrever e se conectar com pequenas experiências cotidianas.

“Coisas simples, como um abraço ou um momento em família, ganharam outra dimensão.” Acesso e continuidade Apesar dos avanços, Yuri reconhece que o acesso  ainda é um desafio no Brasil, especialmente pela necessidade de acompanhamento médico contínuo e custos associados. Ainda assim, mantém uma postura firme sobre sua trajetória: “Não é um caminho linear.

Já tive momentos em que não consegui manter o tratamento como deveria. Mas nunca desisti de mim.” Hoje, ele compartilha sua experiência como forma de ampliar o debate e reduzir o estigma. “Se existe uma mensagem, é essa: procure informação, procure um profissional. Não tenha vergonha de cuidar de si.

Eu sou prova de que vale a pena insistir, mesmo quando parece difícil.” Importante!  Se você ou alguém próximo enfrenta sintomas de ansiedade, insônia ou outras condições relacionadas à saúde mental, buscar orientação médica é um passo fundamental. O acompanhamento com um profissional qualificado permite avaliar cada caso de forma individualizada e identificar as melhores opções de tratamento.

Para saber mais sobre essa possibilidade, é possível agendar uma consulta com um especialista, como o médico Vinícius Pereira de Mesquita, e entender, com segurança e respaldo científico, quais caminhos fazem sentido para o seu caso. Clique aqui e agende sua consulta! 

Créditos: Cannabis & Saúde.