Talvez tenha sido por tanto escrever no quadro de giz na escola em que dava aula em Porto Alegre que a professora de geografia aposentada Eliana Corrêa Tamer, hoje com 73 anos, conviva há pelo menos quatro anos com a artrose. A dor começou de forma discreta, quase silenciosa, nas articulações dos dedos. “Uma dor suave, sem limitação”, recorda.
Mas, com o passar do tempo e a chegada dos 70 anos, o quadro se intensificou. “A artrose veio no pacote de aniversário dos meus 70”, resume, com humor e lucidez.Mas, nos últimos anos, as dores se instalaram com força nos ombros, no joelho esquerdo e no quadril esquerdo. Vieram também as noites mal dormidas, os despertares frequentes por dor e o uso recorrente de medicamentos anti-inflamatórios.
O humor foi ficando para trás. “Eu acordava com dor no ombro. Mas se virava para o outro lado, o quadril doía.
Era uma noite sempre interrompida, nunca tranquila”, relata.Resistência, desconhecimento e a sensação: “Perdi tempo em não ter começado a utilizar Cannabis medicinal antes”Apesar de ser minha mãe, ou seja, desta paciente conviver com alguém que trabalha e estuda há mais de cinco anos com Cannabis medicinal, ela resistiu.
Não por preconceito, como faz questão de esclarecer, mas por desconhecimento.“Não avaliava que a Cannabis seria mesmo o meu melhor tratamento. Hoje vejo que perdi tempo.”A virada aconteceu após muita insistência minha. E finalmente a marcação de uma consulta com o Dr.
Marcos Dias, que solicitou exames, avaliou cuidadosamente o histórico clínico e indicou um óleo full spectrum rico em CBG e CBD, fitocanabinoides que vêm ganhando atenção por seu potencial anti-inflamatório e analgésico. “A consulta via chamada de WhatsApp foi tão personalizada que parecia que eu estava no consultório”, conta.O fim da dor constante e dos anti-inflamatóriosO impacto do tratamento foi rápido e profundo.
Em poucos dias, a dor diminuiu de forma significativa. Em poucas semanas, praticamente desapareceu.“Desde que comecei a usar Cannabis medicinal, eu nunca mais tomei anti-inflamatório. Eu durmo e acordo sem dor. Antes, minhas noites eram interrompidas pela dor nos ombros; hoje, durmo tranquila depois de tomar minhas gotinhas.”Segundo Eliana, a dor reduziu nove pontos em uma escala de zero a dez.
“Só sinto algo se faço um esforço específico com o braço direito. Fora isso, não sinto dor”. As limitações estruturais da artrose permanecem, mas o controle da dor trouxe ganhos reais de mobilidade, autonomia, bem-estar e claro, o bom humor voltou. Cannabis, artrose e ciência: o que dizem os estudosO relato da minha mãe dialoga com um corpo crescente de evidências científicas.
Estudos clínicos e revisões sistemáticas indicam que fitocanabinoides podem atuar na modulação da dor, da inflamação e da percepção dolorosa, especialmente em condições musculoesqueléticas crônicas, como a artrose.Recentemente, entre as abordagens com fitocanabinoides para a artrose no joelho, pesquisadores da Tailândia conduziram um estudo clínico com um óleo oral contendo a mesma proporção de Canabidiol (CBD) e Delta-9-tetrahidrocanabinol (THC). Os resultados mostraram que o uso do produto “foi associado a melhorias significativas na dor, qualidade de vida e atividades da vida diária”.Pesquisas como esta apontam que o sistema endocanabinoide participa diretamente da regulação da inflamação articular e da dor nociceptiva.
Esse ponto é especialmente relevante em idosos, população mais suscetível aos efeitos adversos dos anti-inflamatórios de uso contínuo, como problemas gastrointestinais, renais e cardiovasculares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% das pessoas com artrose têm mais de 55 anos.Segurança, acompanhamento médico e autonomiaEliana destaca que não sente efeitos colaterais durante o tratamento. “Nada.
Me senti muito bem desde o início.” Para ela, o acompanhamento médico foi decisivo, tanto na escolha do produto quanto no ajuste da dosagem. A professora aposentada também carrega uma curiosidade que ajudou a derrubar mitos: ela já visitou um cultivo legal de Cannabis no Uruguai, muito antes de começar seu próprio tratamento.
“Mesmo assim eu resistia, pois não avaliava como iria mesmo fazer a diferença na minha vida”.Hoje, Eliana não hesita em recomendar o tratamento.“Quem convive com dor crônica e ainda tem medo não deveria perder mais tempo. Deveria procurar imediatamente um médico que prescreva Cannabis para fazer o tratamento com segurança.
Eu já faço propaganda”, diz, rindo.“Não posso mais ficar sem meu óleo de Cannabis medicinal”Dois meses após o início do tratamento, a frase é direta, sem rodeios: “A Cannabis medicinal mudou de fato a minha vida.
Não posso mais ficar sem.”Em um país onde o envelhecimento da população avança e a dor crônica ainda não é tratada com a devida atenção, histórias como a da minha própria mãe ajudam a traduzir, em experiência concreta, o que a ciência vem mostrando: a Cannabis medicinal, quando usada com responsabilidade, acompanhamento médico e base científica, pode ser uma aliada potente na promoção da qualidade de vida.
E, principalmente, para pessoas 60+.
E, como ela mesma resume sua experiência em uma única frase: “Hoje, acho que é a melhor medicação que existe para mim: eficaz, sem efeitos colaterais e sem contraindicações no meu caso”.Leia mais:CBD tópico: um novo alívio para a artrose nas mãosPesquisa revela potencial do CBD, CBG e CBN no tratamento da dor crônicaEstudo: CBG é mais eficiente contra a artrose do que o CBDO acesso legal à Cannabis medicinal no Brasil é permitido mediante indicação e prescrição de um profissional de saúde habilitado.
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