O mês de março marca a campanha Março Roxo, movimento dedicado à conscientização sobre a epilepsia.
A iniciativa busca ampliar o conhecimento da população sobre a doença, combater o preconceito e discutir desafios ainda enfrentados por pacientes, como diagnóstico tardio, acesso ao tratamento e estigma social.Neste ano, a campanha tem como tema “Eu apoio”, um chamado para que a sociedade reconheça as lacunas que ainda existem no cuidado com a epilepsia no Brasil.Segundo a neurologista Daniela Bezerra, diretora da Associação Brasileira de Epilepsia, o objetivo é destacar que o apoio coletivo pode transformar a realidade de quem convive com a doença.“O ‘eu apoio’ significa apoiar o acesso ao medicamento, apoiar a redução da jornada do paciente até o diagnóstico e apoiar também a diminuição do estigma que ainda existe em torno da epilepsia”, explica.A campanha também destaca a necessidade de ampliar a visibilidade de pacientes com epilepsias raras, que muitas vezes enfrentam dificuldades ainda maiores para obter diagnóstico e tratamento adequado.Mitos sobre epilepsia ainda alimentam preconceitoApesar dos avanços da medicina, a epilepsia ainda é cercada por desinformação.
Esse cenário contribui para o preconceito e pode impactar diretamente a vida social e profissional das pessoas com a doença.De acordo com especialistas, ainda existem crenças equivocadas bastante difundidas na sociedade.“Muitas pessoas acreditam que a epilepsia é contagiosa ou que os medicamentos utilizados no tratamento são ‘remédios de doido’.
Esses mitos aumentam o estigma e trazem uma carga muito pesada para quem convive com a doença”, afirma Daniela Bezerra.A falta de informação também pode atrasar o diagnóstico e dificultar o acesso ao tratamento adequado, especialmente em regiões com menor oferta de serviços especializados.Por isso, iniciativas como o Março Roxo são consideradas fundamentais para ampliar a educação sobre epilepsia e reduzir o preconceito.Canabidiol pode ser opção para epilepsia refratáriaNos últimos anos, o uso de Canabidiol (CBD) tem ganhado espaço nas discussões sobre tratamento da epilepsia, principalmente em casos mais complexos.Segundo a Associação Brasileira de Epilepsia, existem evidências científicas que demonstram benefícios da substância em alguns tipos específicos da doença.“Há estudos robustos mostrando resultados positivos do CBD em síndromes como Lennox-Gastaut, esclerose tuberosa e síndrome de Dravet”, explica a neurologista.O CBD também pode ser considerado em casos de epilepsia farmacorresistente, quando as crises não respondem aos medicamentos convencionais.No entanto, a especialista destaca que o uso de Cannabis medicinal para epilepsia exige avaliação médica criteriosa.
“Antes de iniciar esse tipo de tratamento, é necessário analisar outras possibilidades terapêuticas e verificar, por exemplo, se existe indicação cirúrgica.
Somente após essa avaliação o CBD pode ser considerado como alternativa”, reforça.Ações do Março Roxo mobilizam pacientes e especialistasDurante todo o mês de março, a ABE promove uma série de atividades para ampliar a conscientização sobre a doença em diferentes regiões do país.Entre as iniciativas estão campanhas educativas, atividades em escolas e eventos públicos voltados à informação e ao apoio de pacientes e familiares.Na cidade de São Paulo, uma das principais mobilizações será a caminhada de conscientização na Avenida Paulista, marcada para 29 de março, com concentração às 9h30, em frente ao Parque Prefeito Mário Covas.Outras ações também ocorrem em cidades do interior paulista, como Piracicaba, onde estão sendo realizadas atividades educativas com escolas públicas do município.
A cidade também inicia a implantação de um ambulatório voltado ao atendimento de epilepsias raras, fortalecendo a rede de assistência especializada.Informação é a principal ferramenta contra o estigmaPara ABE, ampliar o conhecimento da população sobre a epilepsia é um passo essencial para reduzir o preconceito e melhorar o acesso ao tratamento.Campanhas de conscientização como o Março Roxo ajudam a esclarecer dúvidas, combater mitos e incentivar o diagnóstico precoce, além de fortalecer o apoio às pessoas que convivem com a doença.Importante!O uso do CBD no tratamento da epilepsia deve sempre ser feito com acompanhamento médico e integrado às terapias convencionais.
No Brasil, a prescrição de produtos à base de cannabis é autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e a indicação depende da avaliação individual de cada paciente por um especialista.Clique aqui e agende sua consulta!
