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Estudo avalia Cannabis em pessoas com transtornos alimentares

Cannabis & Saúde 16/09/2026 14:42

Um estudo com mais de 5 mil participantes analisou o uso de derivados da Cannabis em pessoas com transtornos alimentares. A pesquisa identificou que pessoas com anorexia nervosa e transtorno alimentar restritivo evitativo (TARE) relatam melhora de sintomas após o consumo. Entre os efeitos mencionados estavam maior facilidade de comer, redução da culpa relacionada à alimentação e menor ansiedade ligada à comida.

A pesquisa, publicada no Journal of Eating Disorders, no entanto, observou resultados menos favoráveis entre participantes com transtorno de compulsão alimentar periódica. A diferença levou os pesquisadores a defender novos ensaios clínicos para entender em quais condições a Cannabis pode oferecer benefícios.

Como a Cannabis foi usada pelos participantes O trabalho é uma análise de dados da pesquisa MED-FED, realizada pela organização australiana InsideOut. A pesquisa investiga os hábitos de saúde de pessoas diagnosticadas com transtornos alimentares. Ao todo, 5.383 pessoas responderam a perguntas sobre o uso de produtos à base de Cannabis.

Destas, 3.012, ou 56%, afirmaram ter consumido produtos derivados da planta nos últimos 12 meses. Entre os consumidores, 42% relataram consumo diário, enquanto 24% disseram consumir várias vezes ao dia. Os pesquisadores perguntaram aos participantes sobre frequência de consumo, efeitos relatados nos sintomas dos transtornos alimentares, saúde mental e efeitos colaterais.

transtorno alimentar restritivo evitativo e anorexia concentram relatos positivos Entre os diferentes diagnósticos avaliados, os relatos de pessoas com TARE e anorexia nervosa indicaram benefícios do uso de produtos à base de Cannabis. O TARE é caracterizado por restrição ou evitação da alimentação que não necessariamente está relacionada à preocupação com peso ou aparência corporal.

No estudo, esse grupo apresentou a avaliação média mais alta de melhora dos sintomas após o consumo de Cannabis. Participantes com anorexia nervosa também relataram efeitos positivos. Um dos benefícios mais citados foi a maior facilidade para comer. Também apareceram relatos de melhor percepção dos sinais de fome, menos culpa associada a comer e redução das náuseas.

Além disso, entre pessoas com anorexia nervosa, os pesquisadores destacaram relatos de redução da ansiedade acompanhada de aumento do apetite. Para os autores, esses resultados mostram como os compostos da Cannabis têm potencial para contribuir para o manejo de sintomas relacionados a transtornos alimentares marcados pela restrição ou pela dificuldade em se alimentar.

Benefícios foram além da fome Além dos efeitos percebidos no apetite, os participantes mencionaram mudanças em fatores que podem interferir na relação com a alimentação, como ansiedade diante da comida, culpa e percepção dos sinais de fome. Por isso, os autores consideram que o aumento da vontade de comer pode explicar apenas parte dos relatos positivos encontrados entre pessoas com TARE e anorexia nervosa.

Isso é relevante, pois os transtornos alimentares são condições complexas. A dificuldade de comer pode envolver não apenas falta de apetite, mas também medo, desconforto e aversão aos alimentos. Nesse contexto, a maioria dos participantes que consumia produtos à base de Cannabis avaliou positivamente os efeitos sobre a saúde mental, independentemente do transtorno alimentar.

Compulsão alimentar apresentou resultado diferente O estudo mostrou também que os resultados não foram positivos para todos os grupos. Pessoas com transtorno de compulsão alimentar periódica apresentaram avaliações menos favoráveis dos efeitos da Cannabis sobre seus sintomas.

Os pesquisadores levantaram a possibilidade de que o aumento do apetite associado ao ∆9-tetrahidrocanabinol (THC) possa ter efeitos diferentes em transtornos caracterizados por compulsão alimentar e em transtornos marcados por restrição e dificuldade para comer.

O que o estudo ainda não consegue responder Embora os resultados sejam relevantes, existem limitações importantes. A pesquisa foi realizada por meio de questionário e não foi um ensaio clínico. Os próprios participantes informaram seus diagnósticos e avaliaram os efeitos relatados. Os autores também reconhecem que pessoas com experiências positivas podem ter maior interesse em participar desse tipo de pesquisa.

Eles defendem que futuros estudos avaliem com atenção a relação entre transtornos alimentares e derivados da Cannabis. Como funciona acesso no Brasil No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de produtos à base de Cannabis com prescrição médica. Interessados em incluir derivados da planta no tratamento devem buscar orientação especializada.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta com profissionais experientes nesse tipo de abordagem. A avaliação individual é uma etapa essencial para a eficácia e a segurança.

Créditos: Cannabis & Saúde.