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CBD reduz dor em síndrome da boca ardente, aponta estudo clínico

Cannabis & Saúde 03/09/2026 13:26

Um ensaio clínico conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) observou redução progressiva da dor em pacientes com a síndrome da boca ardente tratados com óleo rico em canabidiol (CBD). O estudo comparou CBD e placebo e também identificou melhora na qualidade de vida relacionada à saúde bucal.

Na avaliação final, a média de intensidade da dor chegou a zero no grupo que recebeu canabidiol, enquanto permaneceu acima de 6 no grupo placebo, em uma escala de 0 a 10. Apesar dos resultados promissores, os autores consideram necessário confirmar os achados em ensaios maiores.

O que é a síndrome da boca ardente A síndrome da boca ardente, também chamada de síndrome da ardência bucal, é uma condição crônica marcada por uma sensação persistente de queimação na boca, geralmente sem lesões ou alterações que expliquem os sintomas. A queimação costuma afetar principalmente a língua e lábios e pode vir acompanhada de outras alterações, como mudança no paladar ou sensação de boca seca.

De acordo com os autores, a condição afeta principalmente mulheres e é mais frequente a partir dos 50 anos. Entre os 26 participantes do estudo clínico, 96% eram mulheres. Segundo os pesquisadores, os tratamentos convencionais para a síndrome da boca ardente incluem antidepressivos, anticonvulsivantes e estratégias que não envolvem medicamentos, como terapia cognitivo-comportamental e manejo do estresse.

No entanto, é comum que essas abordagens ofereçam benefícios modestos. Nesse contexto, os cientistas brasileiros decidiram avaliar o CBD no tratamento da síndrome da boca ardente. Como o CBD foi utilizado no estudo O ensaio utilizou um óleo de espectro completo rico em CBD, administrado por via sublingual. Os participantes começaram com duas gotas duas vezes ao dia, totalizando 10 mg de CBD por dia.

Durante as primeiras semanas, os pacientes compareciam a consultas semanais. Nesses encontros, os pesquisadores avaliavam a resposta ao tratamento e possíveis efeitos adversos. Se a dor persistisse e o participante estivesse tolerando bem o medicamento, eram acrescentadas duas gotas a cada tomada, a cada ajuste de dose. Desse modo, a quantidade utilizada era ajustada individualmente.

De acordo com os pesquisadores, as doses que proporcionaram melhor equilíbrio entre redução de sintomas e tolerabilidade ficaram entre 10 e 50 mg de CBD por dia. Quando a dose considerada adequada para cada participante era alcançada, as consultas passavam a ser mensais.

Quando a redução da dor começou a aparecer Cada participante completou seis avaliações da dor: uma medição antes do estudo, seguida por outras cinco durante o acompanhamento. Em cada avaliação, os pesquisadores usaram uma escala de 0 a 10 para medir tanto a intensidade da dor quanto seu impacto na vida diária. Nas duas primeiras avaliações, não houve diferença significativa entre os grupos.

A diferença começou a aparecer a partir da terceira avaliação. Da terceira medição até o final do estudo, os participantes que utilizaram CBD apresentaram reduções significativas tanto na intensidade da dor quanto no impacto provocado por ela. Ao fim do acompanhamento, a média de intensidade da dor ficou em zero no grupo CBD e permaneceu acima de 6 no grupo placebo.

O impacto da dor sobre as atividades cotidianas seguiu um padrão semelhante: diminuiu progressivamente no grupo tratado e permaneceu estável entre os participantes que receberam placebo. CBD também melhorou indicadores de qualidade de vida Além da intensidade da dor, os pesquisadores avaliaram como os problemas de saúde bucal interferiam em aspectos físicos, psicológicos e sociais da vida.

Para isso, utilizaram um questionário chamado OHIP-14. Antes do tratamento, não havia diferença entre os dois grupos. Depois do uso de CBD, o grupo tratado apresentou resultados melhores do que o grupo que recebeu placebo. Os autores classificaram a diferença entre os grupos como de grande magnitude estatística, ou seja, uma diferença considerada grande.

O que aconteceu depois que o CBD foi interrompido No estudo, os participantes relataram que, depois do encerramento do tratamento, os sintomas começaram a retornar gradualmente cerca de 15 a 20 dias após a interrupção. Os autores interpretam essa observação como um possível indício de que o CBD tenha funcionado como um modulador dos sintomas, isto é, ajudaria a controlar os sintomas enquanto estivesse sendo usado.

Com a retirada do canabinoide, os participantes retornaram ao estado observado antes do tratamento. Nenhum efeito adverso grave foi registrado durante o ensaio clínico. No entanto, os autores chamam atenção para a necessidade de cuidado especialmente entre pessoas mais velhas. Na terceira idade, é comum o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo. O CBD pode interagir com alguns deles.

Por isso, eles defendem ajuste cauteloso da dose, revisão dos medicamentos utilizados e acompanhamento durante o tratamento. Por que os resultados ainda precisam ser confirmados Para os autores, os resultados indicam que o óleo rico em CBD merece continuar sendo investigado como possível opção terapêutica para pessoas com a síndrome da boca ardente.

Os pesquisadores defendem a realização de ensaios clínicos maiores, duplo-cegos e com acompanhamento por períodos mais longos. Ainda assim, o estudo brasileiro acrescenta evidências ao debate sobre novas formas de tratar a condição. O uso de Cannabis na odontologia No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis em tratamentos odontológicos.

Os cirurgiões-dentistas podem prescrever derivados da planta para seus pacientes, desde que o tratamento esteja dentro da sua área de atuação. Para profissionais que desejam entender melhor como os canabinoides podem ajudar na prática clínica, a Vigo Academy oferece o curso Medicina Canabinoide na Prática: da teoria à prescrição exclusiva para cirurgiões-dentistas.

Créditos: Cannabis & Saúde.