Em um esforço para conscientizar, mobilizar e inspirar ações, o Dia Mundial de Combate ao Câncer é celebrado anualmente em 8 de abril. À medida que a ciência avança, novas alternativas de tratamento surgem. Com isso, cresce também o interesse sobre como a Cannabis pode atuar como aliada no cuidado de pessoas com câncer.
Para o médico Rodrigo Eboli, especialista em Cuidados Paliativos e Cirurgia Oncológica, esse movimento reflete um avanço na prática clínica: Hoje, temos evidências sólidas para o controle de náuseas e vômitos pós-quimioterapia e para a dor crônica. Isso já é amplamente aceito por diversas sociedades médicas internacionais, inclusive a principal delas, a American Society of Clinical Oncology (ASCO)”, afirma. Dr.
Rodrigo Eboli – CRM 142765/SP | RQE 58585 Câncer no mundo: números que preocupam No mundo inteiro, o câncer está entre as principais causas de morte. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é responsável por cerca de 10 milhões de óbitos por ano.
Além disso, a entidade estima que os novos casos de câncer podem superar 35 milhões em 2050, um aumento de 77% em relação a 2022, quando foram 20 milhões de novos casos. A expectativa é de crescimento contínuo nas próximas décadas. Esse aumento é impulsionado pelo envelhecimento da população e por fatores de risco modificáveis.
Isso evidencia a necessidade de ampliar estratégias de prevenção e de garantir qualidade de vida para aqueles que estão em tratamento oncológico.
Prevenção: o que está ao nosso alcance Uma forma simples de reduzir o risco de vários tipos de câncer envolve a adoção de hábitos saudáveis, como: • Prática de exercícios físicos; • Ingestão de frutas e vegetais; • Redução do consumo de bebidas alcoólicas; • Abandono do tabagismo; • Proteção ao se expor à luz solar Estima-se que essas medidas poderiam evitar de um terço a metade dos casos de câncer.
Além disso, a vacinação contra o HPV e a hepatite B têm papel importante na prevenção de cânceres como o de colo do útero e fígado. Desafios no Brasil: diagnóstico e tratamento De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o tumor maligno mais comum no Brasil continua sendo o de pele não melanoma, seguido pelos cânceres de mama, próstata, cólon e reto, pulmão e estômago.
Grande parte das mortes por câncer ocorre em países de média e baixa renda, o que inclui o Brasil. Esse cenário reforça a importância de ampliar o acesso a diagnóstico precoce e aos tratamentos, garantindo cuidado integral aos pacientes.
Cannabis no cuidado oncológico Nesse contexto, medicamentos à base de Cannabis tem sido cada vez mais considerada como uma abordagem complementar no cuidado oncológico, especialmente no controle dos sintomas. Na prática clínica, o uso dos derivados da planta costuma ocorrer quando os tratamentos convencionais não são suficientes para garantir conforto ao paciente, como explica o Dr. Rodrigo Eboli.
Considero a Cannabis quando o objetivo é melhorar a qualidade de vida e o manejo dos sintomas. Ao invés de seguirmos aumentando as doses de medicamentos convencionais, e com isso aumentar os efeitos colaterais, a gente pode associar a medicina canabinoide”, destaca.
Entre os principais benefícios observados estão o controle de: • Náuseas e vômitos • Falta de apetite • Dor • Distúrbios do sono • Ansiedade No entanto, o médico ressalta que o uso deve sempre ter o acompanhamento de um profissional capacitado. Os fitocanabinoides são considerados seguros, mas não são isentos de efeitos colaterais.
Monitoro principalmente a sonolência excessiva, tonturas, boca seca e possíveis alterações cognitivas”, explica. Dr. Eboli também chama atenção para possíveis interações medicamentosas, especialmente em pacientes em tratamento oncológico. Os canabinoides são metabolizados pelo fígado pelas enzimas do citocromo P450, o mesmo sistema utilizado por muitos quimioterápicos.
Isso significa que eles podem alterar a forma como esses medicamentos são processados no organismo.” Menos estigma, mais informação A percepção sobre o uso de medicamentos à base de Cannabis também vem mudando rapidamente, tanto entre médicos quanto entre pacientes. De acordo com o especialista, o estigma vem dando lugar a uma busca por informações de qualidade sobre alternativas terapêuticas.
Muitas famílias já chegam até a gente perguntando sobre Cannabis, muitas vezes cansadas dos efeitos colaterais de medicamentos como opioides ou ansiolíticos.” Além dos sintomas: impacto na qualidade de vida Segundo o Dr. Rodrigo Eboli, quando bem aplicados, os medicamentos à base de Cannabis podem ir além do alívio dos sintomas.
Podem devolver o prazer de comer, melhorar o sono e trazer mais disposição para enfrentar o tratamento sem o peso do preconceito.” O médico reforça que, apesar do número crescente de pessoas que utilizam esses medicamentos, “o mais importante é que o paciente não tente esse caminho sozinho”. Uso responsável e com orientação médica.
Se você está em tratamento contra o câncer ou acompanha alguém nesta jornada, é fundamental buscar orientação médica antes de considerar o uso de medicamentos à base de Cannabis. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso desses medicamentos sob prescrição médica.
Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível encontrar profissionais experientes nesse tipo de terapia preparados para avaliar cada caso de forma individualizada.
