Apesar da popularidade crescente do canabidiol (CBD) entre atletas e praticantes de atividades físicas, um estudo concluiu que o canabinoide não melhora o desempenho físico nem a recuperação muscular em pessoas saudáveis. A análise foi uma revisão sistemática envolvendo mais de 500 participantes.
O CBD não apresentou efeito relevante como recurso ergogênico, termo usado para descrever substâncias ou estratégias que prometem melhorar a performance esportiva. Por outro lado, os pesquisadores observaram benefícios em populações com algumas condições clínicas, especialmente esclerose múltipla, nas quais o CBD esteve associado a melhorias na mobilidade.
O que os atletas esperam do CBD A WADA (Agência Mundial Antidoping) autoriza o uso de CBD por atletas desde os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020.
Desde então, muitos profissionais, amadores e praticantes recreativos de atividade física buscam o canabinoide com a expectativa de: • Reduzir dores • Acelerar a recuperação pós-treino • Melhorar o desempenho Esses efeitos ajudaram a posicionar o composto como um possível aliado entre os recursos ergogênicos.
No entanto, a revisão indica que, para indivíduos saudáveis, essas expectativas não foram confirmadas pela ciência. Como o CBD age no corpo Diferente do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC), o CBD não causa efeitos psicoativos. Ele atua no sistema endocanabinoide, sistema natural do corpo envolvido na regulação da dor, inflamação, resposta ao estresse e outras funções fisiológicas.
Nos estudos analisados: • As doses variaram de 35 mg a 600 mg por via oral e 100 mg a 1.000 mg em uso tópico • Foram avaliados exercícios de força, resistência e testes aeróbicos Os estudos não seguiram um único padrão de uso: • Em alguns casos, o CBD foi administrado antes do exercício (cerca de 1h30 a 2 horas antes) para avaliar o desempenho • Em outros, foi utilizado após o treino, em aplicações repetidas por até 72 horas, com foco na recuperação • Também houve protocolos com uso contínuo por dias ou semanas Mesmo com essas diferenças, os resultados foram consistentes: não houve melhora significativa no desempenho ou na recuperação funcional em pessoas saudáveis.
O que os estudos encontraram Desempenho físico • Não houve melhora em força, potência ou resistência • Não houve aumento do VO2 máximo (a capacidade do corpo de usar oxigênio durante o esforço) nem do tempo até a exaustão Recuperação muscular • O CBD não reduziu a dor muscular tardia, aquela que aparece horas depois do treino conhecida como DOMS • Não melhorou a recuperação de força ou função • Houve apenas pequenas reduções em sinais no sangue que indicam lesão muscular, sem impacto prático Sistema cardiovascular • Doses altas reduziram a pressão arterial em repouso e sob estresse • Esse efeito não resultou em melhora de desempenho Quem pode se beneficiar Além de indivíduos saudáveis, a revisão também incluiu participantes com algumas condições clínicas, como esclerose múltipla e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC).
Os resultados mais consistentes foram observados em pessoas com esclerose múltipla, com melhorias no caminhar, como: • Aumento da velocidade da caminhada • Melhora no ritmo dos passos CBD pode ser um recurso ergogênico?
Para pessoas saudáveis e atletas, os achados são: • O CBD não deve ser considerado um dos recursos ergogênicos eficazes • Não há evidência de benefício para desempenho ou recuperação Isso reforça que estratégias já consolidadas continuam sendo as mais eficazes: sono adequado, alimentação equilibrada e planejamento de treino.
Além disso, o CBD foi considerado seguro e bem tolerado, sem evidência de prejuízo ao desempenho físico.
O que precisa ser investigado Embora os resultados tenham sido consistentes, os pesquisadores ressaltam que algumas questões permanecem em aberto: • Possíveis diferenças entre homens e mulheres, ou atletas de elite e recreacionais • Se o uso prolongado pode gerar efeitos diferentes dos observados em estudos de curto prazo • Qual é a dose ideal para diferentes objetivos CBD e as regras do esporte É importante destacar que a WADA permite o uso de CBD.
No entanto, outros canabinoides seguem proibidos e podem levar a resultados positivos em testes antidoping. Por isso, produtos com CBD isolado são considerados mais seguros para atletas submetidos a exames. No Brasil, atletas profissionais, amadores e recreacionais devem utilizar produtos à base de Cannabis com prescrição médica, seguindo as regras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Se você ou alguém próximo está considerando incluir produtos com canabinoides na rotina, busque orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta com médicos experientes nesse tipo de terapia.
