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Diagnóstico tardio de autismo: mãe de criança com TEA descobre o transtorno aos 38 anos após anos de diagnósticos equivocados

Cannabis & Saúde 16/03/2026 22:32

Quando a história de Matheus foi publicada pelo portal Cannabis & Saúde, em 2023, o foco estava na transformação que o tratamento com Cannabis medicinal trouxe para a vida do menino de oito anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, TOD e Síndrome de Down.

Filho de policiais militares do Estado do Rio de Janeiro, Matheus passou a apresentar uma melhora importante no comportamento após iniciar o uso do óleo de Cannabis full spectrum, prescrito pela médica Vanessa Matalobos, pediatra e dermatologista em Cabo Frio (RJ).

Na época, a mãe do garoto, Ana Paula Lima, relatou o impacto da mudança na rotina da família e a esperança que o tratamento havia trazido depois de anos tentando diferentes abordagens terapêuticas. Mas, desde então, uma nova transformação aconteceu — desta vez na vida da própria mãe. Uma jornada pessoal que começou com o filho Ana Paula é também nutricionista, assistente social e mãe atípica.

Ao longo dos últimos anos também se tornou autora e ativista nas causas relacionadas à neurodivergência. Durante grande parte da vida adulta, ela conviveu com diversos diagnósticos psiquiátricos. “Recebi diagnósticos de transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e, por último, transtorno bipolar”, conta. A cada novo diagnóstico vinham também novas medicações.

Em determinado momento, Ana Paula chegou a utilizar mais de sete medicamentos psicoativos ao mesmo tempo, incluindo benzodiazepínicos em doses elevadas. “Em alguns períodos precisei usar diazepam de oito em oito horas para tentar controlar as crises.” Mesmo com o tratamento intensivo, os sintomas persistiam.

“Eu continuava tendo crises intensas de ansiedade, episódios frequentes de choro e muitos efeitos colaterais das medicações.” A suspeita que mudou tudo A mudança começou de forma inesperada, durante uma consulta do filho. Enquanto acompanhava o tratamento de Matheus, a médica Vanessa Matalobos passou a fazer perguntas sobre a própria saúde de Ana Paula.

Ao ouvir sobre a quantidade de medicações e as dosagens utilizadas, a médica levantou uma hipótese que nunca havia sido considerada até então. Ela perguntou se Ana Paula já havia sido avaliada para Transtorno do Espectro Autista. A sugestão foi levada para discussão com sua psiquiatra e deu início a um processo de investigação neuropsicológica que durou cerca de um ano.

Após esse tempo, a confirmação: Ana Paula recebeu diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista nível 1 de suporte e TDAH tipo combinado — aos 38 anos. “Esse diagnóstico trouxe algo que por muitos anos eu não tinha: explicação”, relata.

“Durante muito tempo eu achei que havia algo errado comigo, quando na verdade eu apenas estava sendo tratada a partir de diagnósticos que não explicavam minha realidade.” O papel do CBD no tratamento Com o diagnóstico correto, o tratamento também mudou. Hoje, das mais de sete medicações psiquiátricas que utilizava anteriormente, Ana Paula faz uso apenas do CBD e uma medicação específica para TDAH.

“O Canabidiol teve um papel fundamental nesse processo. Ele trouxe estabilidade emocional, redução da ansiedade e principalmente controle das crises.” Segundo ela, sintomas que fizeram parte da rotina por muitos anos simplesmente desapareceram. “Os episódios frequentes de choro sumiram. Costumo dizer que o CBD não mudou apenas a vida do meu filho.

Ele também mudou a minha.” Diagnóstico tardio: quando a resposta chega na vida adulta Receber o diagnóstico de autismo na vida adulta foi, para Ana Paula, um processo de libertação. “Durante muito tempo eu me senti deslocada, como se algo estivesse errado comigo.

Quando veio o diagnóstico, muitas coisas finalmente fizeram sentido.” Essa experiência pessoal motivou a escrita do livro “Autismo: diagnóstico tardio — não te invalida, te liberta!”, no qual compartilha sua trajetória como mulher autista diagnosticada na vida adulta, mãe e ativista.

Na obra, ela também aborda o papel da Cannabis medicinal em sua vida e na de seu filho, além de discutir os desafios enfrentados por adultos que recebem diagnóstico tardio de autismo. Leia também: Abril Azul: o desafio da subnotificação e diagnóstico tardio do autismo no Brasil   O que começou como a busca de uma mãe por qualidade de vida para o filho acabou se transformando em um propósito mais amplo.

Sobretudo pelo fato de  Ana Paula também atuar, hoje, como ativista nas causas da pessoa com deficiência, levando informação sobre neurodivergência, diagnóstico tardio e acesso a tratamentos que possam melhorar a qualidade de vida de outras famílias.

“A dor que começou dentro da minha casa acabou se transformando em uma causa.” Uma história de transformação Se em 2023 a história da família era marcada principalmente pela esperança trazida pelo tratamento de Matheus, hoje ela também representa um processo mais amplo de transformação. “A Cannabis medicinal entrou na nossa vida primeiro para ajudar o meu filho.

O que eu não imaginava é que, no caminho, ela também ajudaria a mudar completamente a minha história.” Hoje, Ana Paula segue acompanhando a evolução do filho e compartilhando sua experiência com outras famílias que buscam caminhos para melhorar a qualidade de vida. “Porque quando o diagnóstico correto chega, ele não prende. Ele liberta”, finaliza.  Importante!

No Brasil, o uso de medicamentos à base de Cannabis é permitido apenas com prescrição médica e acompanhamento de um médico. Cada tratamento deve ser avaliado de forma individual, considerando o histórico clínico e as necessidades específicas do paciente. Se você deseja entender melhor se a Cannabis medicinal pode ser uma alternativa terapêutica, o primeiro passo é buscar orientação.

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Créditos: Cannabis & Saúde.