InícioNotíciasNotícia

Atualizações sobre Cannabis Medicinal

Seleção automática de fontes confiáveis, com foco em evidências, segurança terapêutica e contexto clínico.

Voltar para Notícias

Dor crônica feminina: especialista explica uso da Cannabis

Cannabis & Saúde 19/03/2026 16:42

Condições de dor crônica atingem milhões de mulheres no Brasil e no mundo. Elas afetam diretamente a qualidade de vida, o trabalho e a saúde mental. Entre as mais comuns estão endometriose, fibromialgia, enxaqueca e artrite reumatoide. Embora sejam diferentes, em muitos casos a dor é amplificada pelo próprio sistema nervoso.

Durante uma live realizada no dia 18 de março de 2026 no canal do YouTube do Cannabis & Saúde, em celebração ao mês das mulheres, a médica especialista em dor Dra. Tainá Calvette destacou como os medicamentos à base de Cannabis podem ajudar. Quando os remédios não aliviam a dor De acordo com a Dra. Tainá, o sistema nervoso pode amplificar as dores crônicas em um fenômeno chamado sensibilização central.

Isso significa que o cérebro passa a entender estímulos normais como dor ou faz com que a dor pareça muito mais forte. Tainá de Freitas Calvette, especialista em dor e acupuntura | CRM: 15235/SC | RQE: 12743 | RQE: 19895 O que eu mais vejo na minha prática clínica é fibromialgia, enxaqueca, endometriose, lombalgia e cervicalgia.

Elas têm muito esse componente da amplificação da dor.” Por isso, cresce o interesse pelo uso de medicamentos à base de Cannabis como alternativa ou complemento aos tratamentos convencionais. Endometriose: dor cíclica e tratamento contínuo A endometriose é uma doença inflamatória crônica que causa dor intensa, especialmente durante o período menstrual.

Segundo a médica, o tratamento com canabinoides costuma ser contínuo, com ajustes ao longo do ciclo: Normalmente colocamos um tratamento de longo prazo e fazemos uma modificação no período do ciclo menstrual, porque ali é que ocorre a crise.

Então, tem que ter o tratamento contínuo e o resgate.” Os medicamentos à base de Cannabis podem atuar tanto na dor quanto nos sintomas relacionados, como alterações de sono e humor. Em geral, são usados de forma complementar a outros tratamentos. Fibromialgia: dor no corpo todo e impacto emocional Na fibromialgia, a dor está ligada à sensibilização central, ou seja, o corpo passa a sentir dor de forma exagerada.

A dor é difusa, contínua e frequentemente acompanhada de fadiga, ansiedade e distúrbios do sono. Nesse cenário, os compostos da Cannabis podem trazer benefícios complementares. Para a Dra. Tainá, o canabidiol (CBD) se destaca: O canabidiol tem uma resposta incrível na redução da ansiedade.

Ele vai agir na dor, melhorando bastante essas questões do comportamento emocional, mas também traz um relaxamento físico.” O ∆9-tetrahidrocanabinol (THC), muitas vezes visto com receio por causa dos efeitos psicoativos, pode ter papel importante. O THC potencializa os efeitos de outros canabinoides e tem um papel importante no alívio da dor.

Então, tem alguns casos que precisamos colocar um pouco de THC.” A combinação entre CBD e THC, em proporções individualizadas, pode melhorar a dor e o bem-estar emocional. Enxaqueca: menos crises, mais qualidade de vida A enxaqueca também envolve mecanismos de sensibilização e alterações do sistema nervoso.

Pacientes frequentemente relatam melhora com o uso de canabinoides, principalmente na redução da frequência e intensidade das crises. Além do alívio da dor, há impacto em fatores que pioram a condição, como tensão muscular e ansiedade. Doenças autoimunes: uso com cautela Nos casos de doenças autoimunes, a médica alerta que a Cannabis pode ajudar nos sintomas, mas não substitui o tratamento convencional.

Para as doenças autoimunes, conseguimos melhorar bastante os sintomas, mas a gente precisa entender em que fase a pessoa está. É muito comum as pessoas chegarem querendo tirar os imunobiológicos, tirar os tratamentos prescritos pelos reumatologistas. Precisamos ter muito cuidado com isso.” Nesse sentido, o uso tende a ser complementar, ajudando no controle da dor e da inflamação.

Diferenças entre homens e mulheres no tratamento Segundo a médica, homens e mulheres não respondem da mesma forma à dor nem aos tratamentos. As mulheres precisam de uma dose menor do que os homens por causa dos hormônios e pela distribuição de gordura no corpo.” Os hormônios estrogênio e a progesterona influenciam o sistema endocanabinoide.

Além disso, variações ao longo do ciclo menstrual também impactam os efeitos do tratamento. Por isso, Dra. Tainá destaca que ajustes finos são essenciais para melhores resultados. Isso torna os tratamentos com derivados da Cannabis individualizados, exigindo avaliação e acompanhamento contínuo. Além da dor: o impacto emocional Para a Dra.

Tainá, mais do que agir diretamente na dor, a Cannabis também pode reduzir o sofrimento emocional ligado à dor. Ela diminui o sofrimento com os processos de dor e faz com que você se importe menos com algumas coisas.

Às vezes, ficamos em um processo ruminativo, pensando na mesma coisa por muito tempo, e a Cannabis faz com que você não se importe tanto com esses pensamentos.” Tratamento individualizado é essencial A dor crônica em mulheres é um problema complexo, influenciado por fatores biológicos, hormonais e emocionais. Nesse sentido, os derivados da Cannabis podem ser uma ajuda promissora.

No entanto, a especialista destaca que cada paciente exige um olhar cuidadoso, e é justamente nessa personalização que está o potencial do tratamento. Você pode assistir a entrevista completa com a Dra. Tainá Calvette no canal do YouTube do Cannabis & Saúde. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.

Então, se você ou alguém próximo deseja iniciar um tratamento com canabinoides, busque orientação profissional. Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com especialistas experientes nesse tipo de terapia, inclusive a Dra. Tainá.

Créditos: Cannabis & Saúde.