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Estudo mostra benefícios da Cannabis em cães com osteoartrite

Cannabis & Saúde 20/03/2026 12:45

Cães com osteoartrite que receberam um extrato de Cannabis por 90 dias apresentaram melhora na qualidade de vida. Nenhum efeito adverso grave foi registrado durante o tratamento. É o que indica um estudo clínico realizado por pesquisadores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), em Foz do Iguaçu, publicado na revista científica Frontiers in Pharmacology.

A pesquisa é uma das primeiras no Brasil a testar, em ambiente controlado, a segurança e a eficácia de um extrato de Cannabis rico em canabidiol (CBD) de espectro completo. O estudo foi feito em cães com osteoartrite, uma das condições mais comuns em animais idosos.

Osteoartrite: uma doença que afeta a maioria dos cães idosos A osteoartrite é uma doença degenerativa das articulações caracterizada pela perda progressiva de cartilagem, inflamação e dor crônica. Na prática, o animal sente dor ao se levantar e tem dificuldade para caminhar. Também evita brincadeiras e perde qualidade de vida de forma gradual e silenciosa.

De acordo com os autores do estudo, a doença afeta cerca de 20% dos cães com mais de um ano de idade. Já em cães com mais de 8 anos, esse número sobe para aproximadamente 80%. Ou seja, quatro em cada cinco cães idosos convivem com algum grau de osteoartrite. O tratamento é feito principalmente com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs).

Embora eficazes em muitos casos, esses medicamentos podem causar problemas gastrointestinais, renais e hepáticos. Além disso, nem sempre controlam a dor de forma satisfatória. Diante desse cenário, veterinários e tutores têm buscado alternativas. Nesse sentido, cresce o interesse por medicamentos à base de Cannabis.

Como o estudo foi conduzido Para investigar o tema com rigor científico, os pesquisadores da UNILA conduziram um ensaio clínico randomizado e duplo-cego. Esse tipo de estudo é considerado o padrão-ouro na medicina. Isso porque nem os tutores nem os veterinários responsáveis sabiam quais animais estavam recebendo o extrato de Cannabis ou o placebo.

Os animais tinham entre 2 e 14 anos de idade, com diferentes portes e raças, incluindo pastor-alemão, pug, chow-chow, dachshund e cães sem raça definida. O extrato utilizado era de espectro completo e teve sua composição analisada em laboratório. A dose diária administrada foi de 7,8 mg/kg de CBD e 0,30 mg/kg de ∆9-tetrahidrocanabinol (THC). O tratamento foi administrado por via oral a cada 12 horas durante 90 dias.

Como os cães foram avaliados Ao longo do estudo, os animais foram avaliados por meio de três instrumentos: • Índice de Dor Crônica de Helsinque (HCPI), respondido pelos tutores • Inventário Breve de Dor Canina (CBPI), também respondido pelos tutores • Avaliações clínicas feitas pelos veterinários. Além disso, foram coletadas amostras de sangue para monitorar a saúde do fígado e dos rins.

Todos os animais também foram submetidos à Escala de Coma de Glasgow para verificar possíveis efeitos neurológicos. Qualidade de vida: o resultado que mais chamou atenção Os resultados não indicaram redução considerada relevante pela análise nos níveis de dor medidos pelo HCPI. No entanto, os resultados relacionados à qualidade de vida se destacaram.

De acordo com os dados do estudo, a proporção de cães com qualidade de vida “muito boa” aumentou em cerca de 15% no grupo Cannabis. Já a proporção classificada como “excelente” cresceu 30%. Ao final dos 90 dias, nenhum dos cães que receberam Cannabis foi classificado com qualidade de vida ruim. Por outro lado, no grupo placebo, os valores permaneceram praticamente inalterados.

Na prática, isso significa animais mais ativos. Eles apresentaram maior disposição para atividades do dia a dia e menos sinais de desconforto crônico. Segurança: nenhum efeito colateral grave nos 90 dias Do ponto de vista da segurança, os resultados foram tranquilizadores. Ao longo dos três meses, os tutores registraram efeitos colaterais leves.

Esses efeitos desapareceram sozinhos em até 24 horas, sem necessidade de intervenção veterinária. Os efeitos colaterais mais comuns no grupo Cannabis foram ansiedade e aumento do apetite. Ambos surgiram na primeira semana e desapareceram sem tratamento adicional. Os pesquisadores atribuíram esses efeitos à presença do THC, mesmo em pequenas quantidades.

Por fim, nenhum animal apresentou qualquer alteração neurológica. O que o estudo não responde O estudo não conseguiu identificar uma dose ideal de Cannabis para tratar a dor em cães com osteoartrite. Também não é possível afirmar, com base nos dados da pesquisa, que o extrato poderia substituir as terapias convencionais. Os autores destacam, portanto, a necessidade de estudos maiores e mais longos.

Eles também apontam a importância de testar outras doses, formulações e métodos de avaliação da dor. Cannabis veterinária no Brasil: o que já é permitido Desde 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza os veterinários a prescreverem produtos à base de Cannabis.

Porém, apesar dos avanços regulatórios, muitos profissionais ainda têm dúvidas sobre os benefícios dos canabinoides para a saúde animal. Para esclarecer o tema, o Cannabis & Saúde oferece o e-book Cannabis na Medicina Veterinária, gratuito. A obra reúne evidências científicas recentes, casos clínicos e orientação de uso responsável.

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Créditos: Cannabis & Saúde.