InícioNotíciasNotícia

Atualizações sobre Cannabis Medicinal

Seleção automática de fontes confiáveis, com foco em evidências, segurança terapêutica e contexto clínico.

Voltar para Notícias

Hanseníase no Brasil: diagnóstico, estigma e novos caminhos terapêuticos

Cannabis & Saúde 07/01/2026 20:11

Na avaliação de Dr. Frade, os profissionais de saúde lidam hoje com entraves estruturais importantes que comprometem o cuidado adequado às pessoas com hanseníase.

Segundo ele, um dos principais desafios é a falta de exames complementares disponíveis na rede de saúde que ajudem a corroborar o diagnóstico, como o ultrassom de nervos e testes laboratoriais mais específicos, a exemplo do PCR.Por fim, ele chama atenção para a fragilização do ensino da hanseníase na formação médica.

A doença tem sido cada vez menos abordada nas escolas, alimentada pela falsa percepção de que estaria em processo de eliminação.

Esse cenário, somado à escassa divulgação do tema pela mídia, contribui para o apagamento da hanseníase do debate público e para o desconhecimento da sociedade sobre uma doença que ainda segue ativa no país.Educação médica e comunicação com a sociedadeO médico destaca que a SBH atua de forma contínua para manter a hanseníase no debate público, com atenção especial às ações de conscientização intensificadas durante o Janeiro Roxo.

Segundo o presidente, a comunicação com a sociedade é um dos pilares dessa estratégia.“A SBH é uma das únicas sociedades médicas que tem uma campanha de comunicação com a sociedade civil, falando continuamente com a sociedade sobre sinais e sintomas, por um período tão longo quanto a campanha #todoscontraahanseniase, que completou dez anos em 2025.

Com material educativo, levamos informações à comunidade por meio do Profi, o mascote da campanha.”Além da comunicação direta com a população, a SBH também investe na qualificação dos profissionais de saúde, especialmente daqueles que atuam na atenção primária, etapa fundamental para o diagnóstico precoce da doença.“A SBH se preocupa em capacitar médicos da atenção primária em saúde quanto ao diagnóstico da hanseníase, mas também leva formação aos médicos que desejam se especializar em hansenologia, como o Curso de Especialização em Hansenologia, que executamos desde 2022 no Estado de Mato Grosso, titulando mais de 50 especialistas e que mudaram a realidade epidemiológica do Estado.”A entidade também atua na construção de consensos clínicos, em articulação com outras sociedades médicas.Dor neuropática: sofrimento persistente e poucos avançosAs complicações neurológicas continuam sendo uma das principais causas de incapacidade associadas à hanseníase, com impacto direto na qualidade de vida dos pacientes.

Para Dr. Frade, os avanços científicos nessa área ainda são insuficientes.“Quanto à dor neuropática, não temos disponíveis facilmente medicamentos como duloxetina, pregabalina, entre outros, associados ao tratamento da hanseníase.”Quando o tema é reabilitação e sequelas funcionais, o cenário é ainda mais crítico.“Em relação às sequelas e à reabilitação, menos ainda se tem investido.

É um campo em que a hanseníase não acompanha a ampliação da assistência na rede de reabilitação do país. Com a precarização dos serviços secundários e terciários de referência em hanseníase, pouco se tem avançado nesse tema, infelizmente.”Para o presidente da SBH, a estratégia mais eficaz segue sendo a identificação precoce da doença.

“Por isso, a SBH luta incansavelmente pelo reconhecimento precoce do diagnóstico, única forma de se evitar as sequelas e, consequentemente, evitar aquilo que mais estigmatiza as pessoas afetadas pela hanseníase.”Cannabis medicinal e hanseníaseAo abordar a Cannabis medicinal, Dr.

Frade reconhece o potencial terapêutico dos fitocanabinoides no manejo da dor neuropática, mas faz um alerta importante sobre o uso indiscriminado, sem diagnóstico definido.“Sim, certamente há espaço para o uso medicinal da Cannabis na dor neuropática sequelar da hanseníase.

No entanto, aqui cabe um alerta quanto ao uso do fitocanabinoide na neuropatia hansênica sem o diagnóstico definido, o que pode ‘queimar’ o produto, pois, sem o tratamento específico da doença com antibióticos, a neuropatia quase nunca responde clinicamente.”Ele reforça que a hanseníase deve sempre ser considerada no diagnóstico diferencial das neuropatias.“Por isso, temos que ficar atentos ao diagnóstico de neuropatia sem a sua respectiva definição etiológica, de sua real causa, lembrando sempre que a hanseníase é uma doença primária e essencialmente neural.”Neste Janeiro Roxo, a mensagem da SBH é direta e urgente: sem diagnóstico precoce, investimento contínuo em ciência e enfrentamento da desinformação, a hanseníase seguirá sendo uma doença amplamente conhecida do ponto de vista histórico, mas ainda invisibilizada na prática clínica, nas políticas públicas e no debate social.O que diz a ciência?Uma revisão sistemática e meta-análise publicada no JAMA demonstrou benefício moderado dos canabinoides no tratamento da dor neuropática em adultos. Outro levantamento, conduzido pela Agency for Healthcare Research and Quality (AHRQ), aponta que medicamentos à base de Cannabis podem reduzir a intensidade da dor e melhorar a qualidade de vida em pacientes com dor crônica refratária.Já uma revisão publicada na Frontiers in Neurology reforça o potencial dos canabinoides em neuropatias inflamatórias e compressivas, mecanismos também presentes na hanseníase.Neste sentido, Dr.

Frade explica que a SBH acompanha esse debate com cautela, mas também com expectativa de avanços.“Vemos com bons olhos e ficamos animados, pois muitos pacientes sofrem com dores intermináveis, e a sua melhora é o que buscamos.”

Créditos: Cannabis & Saúde.