Noemia tem Alzheimer e chegou a passar noites praticamente sem dormir. Após três anos de tratamento com Cannabis medicinal, sua filha Sara relata mudanças no sono, na agitação e em situações simples do cotidiano que antes eram motivo de sofrimento para toda a família.
Minha mãe, Noemia, tem 88 anos e foi diagnosticada com Alzheimer, uma doença progressiva que afeta o cérebro e, com o tempo, pode comprometer a memória, o raciocínio, o comportamento e a capacidade de realizar atividades do dia a dia. Os sintomas se intensificaram há cerca de três anos, mas, olhando para trás, percebemos que ela provavelmente já estava doente há mais de cinco anos.
No início, como mamãe ainda estava bem, eu tinha esperança de que a doença não evoluísse. Acho que a ficha não caiu de uma vez. As coisas foram acontecendo aos poucos, e eu fui aceitando também. Com o tempo, o Alzheimer começou a mudar o comportamento dela, e nossa rotina foi se tornando cada vez mais difícil. Mamãe se irritava muito quando precisava cortar as unhas, escovar os dentes e, principalmente, tomar banho.
Toda vez que precisávamos contrariá-la, era uma batalha, uma tristeza. Mas havia uma coisa especialmente difícil: o sono. Mamãe praticamente não dormia. Passava a noite acordada e, no dia seguinte, estava cansada. Quem cuidava dela também. Quando uma pessoa com Alzheimer não dorme, não é só a noite dela que muda. A casa inteira sente.
Eu já conhecia a Cannabis e fui atrás Eu não tinha preconceito com Cannabis medicinal. Um amigo havia tratado com Cannabis o irmão que teve câncer e, por meio dele, eu já tinha ouvido falar dos possíveis benefícios para diferentes condições, inclusive para pessoas com Alzheimer. Então fui procurar um médico que trabalhasse com esse tipo de tratamento. Encontrei o Dr.
Vinícius Pereira de Mesquita na internet e iniciamos o acompanhamento. Já são cerca de três anos de tratamento com Cannabis medicinal. Começamos com um óleo full spectrum e fomos acompanhando a resposta da minha mãe. A mudança mais significativa para nós, porém, ocorreu há aproximadamente um ano, quando o tratamento foi ajustado.
Além do óleo de Cannabis que mamãe já utilizava, foram introduzidos um segundo óleo e uma medicação à base de Cannabis em comprimido, especialmente para ajudar no sono. E aí eu posso falar de coração: a paz chegou. Mamãe voltou a dormir a noite inteira A primeira grande diferença foi o sono. Hoje, graças a Deus, mamãe dorme por volta das oito da noite e vai até às seis da manhã. É um sono direto.
Pode parecer algo muito simples: dormir. Mas, para uma família que passou por noites em que praticamente não dormia, isso mudou muita coisa. Mamãe também ficou mais calma e, consequentemente, nós também. Situações que antes eram muito difíceis passaram a ocorrer com mais tranquilidade. O banho é um exemplo muito claro. Antes, era uma batalha.
Hoje, cerca de duas horas depois de ela tomar a medicação, nós a convidamos para tomar banho e mamãe aceita numa boa. Quem não vive isso talvez não consiga entender a dimensão dessa mudança. Algo tão cotidiano quanto dar banho em alguém pode se transformar em uma situação muito complicada. Quando deixa de ser um momento de tensão, muda a vida de quem recebe o cuidado e também de quem cuida.
Não curou o Alzheimer, mas mudou a convivência com a doença Eu faço questão de dizer isso: a Cannabis não curou o Alzheimer. Minha mãe continua com a doença. O que posso contar é o que observamos em nossa família. Na nossa experiência, fez uma grande diferença na qualidade de vida dela e na nossa rotina. Com mamãe mais calma e dormindo melhor, conseguimos aproveitar mais os bons momentos com ela.
A principal cuidadora é minha irmã, Sofia Carvalho Silva, porque eu moro na Bahia e minha mãe vive em São Paulo. A distância, porém, não me impede de estar presente no cotidiano dela. Todos os dias, faço uma espécie de terapia com mamãe pelo telefone. Ficamos cerca de 40 minutos conversando, e nossa conversa é quase sempre a mesma. Tenho duas histórias que conto para ela.
Falamos da minha avó, que é o assunto de que mamãe mais gosta. Falamos do tempo da roça. Pergunto o que ela almoçou. No dia seguinte, conversamos sobre tudo novamente. É praticamente a mesma conversa. E mamãe fica superfeliz. O Alzheimer foi me ensinando que estar com ela hoje também significa entrar nesse tempo. Não importa se já contei aquela história muitas vezes.
Se, naquele momento, aquilo faz minha mãe feliz, para mim tem valor. Não estamos esperando que mamãe volte a ser quem era antes da doença. Queremos que ela esteja bem dentro das possibilidades que temos hoje. O amor é uma forma de cuidado É o amor que faz a gente buscar alternativas, ter paciência e valorizar cada pequeno momento de bem-estar.
No Alzheimer, nem sempre podemos mudar a doença, mas podemos mudar a maneira de percorrer esse caminho juntos. Hoje, quando alguém me pergunta sobre Cannabis medicinal, digo para procurar informação, conversar com profissionais que conheçam o assunto e não ter preconceito. Cada pessoa é diferente. Eu só posso falar daquilo que acompanhei com a minha mãe e do quanto, para nós, fez diferença.
Depois de tantos momentos difíceis, ver mamãe dormir uma noite inteira, tranquila, já significa muito. Mas é ainda melhor vê-la acordar bem no dia seguinte, cantando e dançando. Para mim, é como se a nossa família tivesse conseguido respirar de novo. E, se tem uma coisa que aprendi vivendo tudo isso, é que o amor ainda é a melhor medicina.
Importante Se você deseja entender se a Cannabis medicinal pode fazer sentido para o seu caso ou para o tratamento de um familiar, o primeiro passo é contar com acompanhamento médico especializado. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, você pode marcar uma consulta com profissionais experientes na prescrição de Cannabis medicinal para uma avaliação individualizada e segura.
