A agressividade e as dificuldades para comer, tomar banho e dormir faziam parte da rotina de Paula, que vive com Alzheimer. Sua filha, Rebeca, encontrou na Cannabis medicinal uma possibilidade de cuidado que transformou a vida de toda a família.
A experiência foi tão marcante que ela se tornou ativista da Cannabis medicinal Sou Rebeca Guimarães, servidora pública federal, ativista da Cannabis medicinal e, acima de tudo, filha e cuidadora da minha mãe, Paula Guimarães. Moramos em João Pessoa, na Paraíba, e nossa história com a Cannabis começou em outubro de 2019, depois de muitos anos tentando encontrar uma maneira de ajudá-la.
Minha mãe passou quase dez anos em tratamento para uma depressão grave e recorrente. Tomava medicamentos convencionais, mas não apresentava a melhora que esperávamos. Era tudo muito instável. Hoje, olhando para trás, acreditamos que aqueles já poderiam ter sido os primeiros sinais do Alzheimer, uma doença progressiva que afeta o cérebro e pode comprometer a memória, o raciocínio, o comportamento.
Na primeira ressonância magnética que fizemos, não apareceu nada que indicasse a doença. Mas, quando repetimos o exame, em 2020, o neurologista nos disse que o Alzheimer provavelmente já estava se desenvolvendo havia cerca de oito anos. Isso coincidia com a época em que mamãe começou o tratamento para depressão. Foi difícil perceber tudo isso.
Eu sou filha única e, por muito tempo, não consegui identificar o que estava acontecendo. A gente não aprende a reconhecer o Alzheimer, principalmente no início, quando ainda não tem experiência com a doença. Enquanto buscávamos respostas, nossa rotina foi ficando cada vez mais complicada. Mamãe apresentava muita agressividade, tinha dificuldade para tomar banho, para comer e para conviver com a família.
Nossa vida estava um caos. Eu tinha muito preconceito com a Cannabis Naquela época, eu não conhecia praticamente nada sobre o uso medicinal da Cannabis. Era totalmente desinformada e tinha muitos preconceitos. Até que assisti a um vídeo sobre a história do seu Ivo, do projeto Curando Ivo. Aquilo me impactou profundamente porque eu estava vivendo, dentro de casa, muitas das situações que apareciam no vídeo.
A agressividade, a dificuldade para o banho, os problemas com a alimentação. Eu reconheci aqueles sintomas e aquela história. Lembro que pensei: “Eu quero isso para minha mãe. Eu quero isso para a gente.” Foi assim que comecei a buscar informações sobre o tratamento. Mamãe nunca gostou muito dos medicamentos convencionais. Sempre foi bastante resistente a eles.
Quando introduzimos a Cannabis medicinal, porém, ela aceitou bem. E comecei a perceber mudanças que, depois de tantos anos de tentativas, significaram muito para nós. A agressividade dela diminuiu e nossa rotina melhorou Logo na primeira semana de tratamento, senti uma melhora. Ainda era sutil, mas eu percebi.
Depois de anos acompanhando mamãe em tratamentos sem conseguir vê-la bem, notar aquela pequena diferença me deu a sensação de que tínhamos encontrado um caminho. Com o passar do tempo, ela ficou mais estável. Passou a comer melhor, a dormir melhor e a conviver de forma mais tranquila comigo, com meu marido e com minhas duas filhas. A agressividade diminuiu e nossa rotina começou a mudar.
Para quem está de fora, talvez seja difícil compreender o que isso representa. Mas, quando você convive diariamente com uma pessoa com Alzheimer, conseguir realizar os cuidados básicos com mais tranquilidade faz uma enorme diferença. Nos três primeiros meses, conseguimos retirar gradualmente os medicamentos convencionais que ela utilizava, e mamãe permaneceu em tratamento com Cannabis medicinal.
Ao longo dos anos, precisamos fazer ajustes, mudar formulações e observar as respostas. Nem sempre foi o mesmo óleo ou a mesma combinação de canabinoides. Em 2026, com o avanço da doença, tentamos introduzir novamente um medicamento convencional, em adesivo. Mas percebi que mamãe estava ficando muito letárgica, com mais dificuldade para andar, mais rigidez e alterações no sono.
Depois de cerca de um mês, suspendemos o uso. Na nossa experiência, foi com o tratamento à base de Cannabis que percebemos as mudanças mais significativas na qualidade de vida dela. Eu não podia guardar aquela experiência só para mim O início do tratamento coincidiu com um período em que nossa rotina familiar também estava prestes a mudar. Poucos meses depois, veio a pandemia.
Com o isolamento, passei a trabalhar em casa e pude acompanhar mamãe ainda mais de perto. Observava como ela reagia às mudanças de dose, às diferentes formulações e aos ajustes que fazíamos ao longo do tratamento. Comecei também a estudar mais sobre Cannabis medicinal. Foi nesse período que senti necessidade de compartilhar nossa experiência.
Eu pensava que não podia guardar aquilo só para mim, principalmente depois de ter começado essa história com tantos preconceitos e tão pouca informação. Passei a falar sobre o assunto nas redes sociais, a contar o que estávamos vivendo e a ajudar outras famílias a conhecerem essa possibilidade de tratamento. Foi assim que me tornei também ativista da Cannabis medicinal.
Temos um perfil nas redes sociais chamado “No Mundo de Paulinha”. Lá, todos podem acompanhar um pouco da nossa rotina e obter mais informações. Mamãe se comunica pela música O Alzheimer avançou ao longo desses anos. Hoje, mamãe já não fala, não verbaliza mais o que sente ou deseja. Precisa de ajuda para se alimentar e caminhar. Ainda consegue ficar de pé, mas com apoio e com dificuldade.
Mesmo assim, continua comendo bem, dormindo bem e interagindo conosco, principalmente por meio da música. Isso é muito importante para mim. A doença mudou profundamente as possibilidades de comunicação da minha mãe, mas ainda encontramos maneiras de estar com ela e de perceber suas respostas. Hoje, ela é muito receptiva e colaborativa quanto aos cuidados.
E isso faz diferença para todos que convivem com ela: meu marido, minha filha, a cuidadora e os profissionais da equipe multidisciplinar que a acompanham em casa. Minha filha mais velha já não mora conosco, mas também faz parte dessa história. O que sentimos hoje é uma tranquilidade que antes não existia.
Mamãe responde bem à nossa presença e aos nossos cuidados, o que nos deixa emocionalmente mais fortes para continuarmos. Eu não tenho como afirmar o que teria acontecido se não tivéssemos iniciado o tratamento. Mas, olhando para tudo o que vivemos, atribuo à Cannabis uma parte muito importante da qualidade de vida que ela mantém, mesmo com o avanço do Alzheimer.
A Cannabis não faz tudo sozinha Uma coisa que aprendi ao longo desses anos é que o tratamento precisa ser individualizado. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar da mesma forma para outra. Também percebi que não adianta esperar que apenas o óleo resolva tudo. Precisamos olhar para a rotina, a alimentação, a atividade física e os demais cuidados que fazem parte da vida de quem está doente.
Costumo usar uma analogia com a corrente de uma bicicleta. Se ela estiver cheia de sujeira e ferrugem, não basta apenas aplicar óleo e esperar que funcione perfeitamente. É preciso cuidar da corrente também. Para mim, é assim com a Cannabis medicinal. Ela pode ser uma ferramenta importante, mas precisa fazer parte de um cuidado mais amplo. Também aprendi que é preciso ter paciência.
Algumas pessoas podem perceber mudanças mais rapidamente; outras, não. O tratamento exige acompanhamento, observação e perseverança. A Cannabis transformou a nossa vida Quando penso em tudo o que aconteceu desde 2019, a palavra que me vem à cabeça é transformação. A Cannabis foi um divisor de águas na nossa vida. Trouxe mais estabilidade para mamãe e mais tranquilidade para nossa família.
Mas também mudou a maneira como eu enxergo o cuidado e a importância de compartilhar informações. Se eu tivesse que resumir o que a Cannabis medicinal representa na nossa história em uma palavra, seria transformação. Porque não mudou apenas a maneira como mamãe vive com o Alzheimer. Mudou também a maneira como nossa família vive ao lado dela.
Importante Se você deseja entender se a Cannabis medicinal pode fazer sentido para o seu caso ou para o tratamento de um familiar, o primeiro passo é contar com o acompanhamento de um médico especializado. Na plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, você pode marcar uma consulta com ela e/ou com outros profissionais experientes na prescrição de Cannabis medicinal para uma avaliação individualizada e segura.
