Após anos convivendo com dor crônica severa, Dra. Elaine Goulart, médica generalista com mais de 30 anos de experiência, encontrou na Cannabis medicinal uma possibilidade para o próprio tratamento. Os resultados que percebeu como paciente a levaram a estudar e se especializar em medicina endocanabinoide e, mais tarde, incorporar a Cannabis à sua prática médica.
Escolhi a Medicina porque sempre me interessei pelo cuidado com as pessoas e pela possibilidade de unir conhecimento científico, responsabilidade e sensibilidade humana. Formei-me pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em 1992 e, desde então, venho construindo uma trajetória marcada pela prática clínica, pelo estudo e pelo compromisso com o bem-estar dos meus pacientes.
Ao longo dos anos, compreendi que cuidar de alguém exige olhar não apenas para a doença, mas para a pessoa em sua totalidade. Minha prática sempre foi fundamentada na medicina convencional, mas acompanhei muitos pacientes com doenças crônicas, dores persistentes e alterações do sono que nem sempre apresentavam uma resposta satisfatória aos tratamentos disponíveis.
Muitos utilizavam vários medicamentos e, ainda assim, continuavam enfrentando limitações importantes na rotina e na qualidade de vida. Naquela época, meu conhecimento sobre Cannabis ainda era limitado e havia uma certa desconfiança. Durante muito tempo, ela foi apresentada principalmente sob a perspectiva do uso recreativo e dos riscos. Até que a Cannabis medicinal entrou na minha vida por uma necessidade pessoal.
Primeiro, eu fui paciente Eu convivia com dor crônica severa decorrente de uma artrodese lombar, além de artrite psoriática e fibromialgia. Mesmo fazendo uso de diversos medicamentos tradicionais, a dor continuava impactando significativamente a minha rotina e a minha qualidade de vida. Quando comecei o tratamento com Cannabis medicinal, com orientação e acompanhamento adequados, percebi uma melhora muito importante.
A dor diminuiu, minha qualidade de vida mudou e também foi possível reduzir a quantidade de medicamentos que eu utilizava. Foi essa experiência que despertou em mim a vontade de estudar a medicina endocanabinoide com profundidade.
Passei também a compreender de forma muito concreta o que significa para um paciente recuperar o sono, a disposição, a autonomia e a possibilidade de realizar atividades que antes pareciam difíceis. Da experiência pessoal à prescrição Busquei uma formação específica e obtive uma certificação internacional em medicina endocanabinoide. Comecei a prescrever em julho de 2025, com muita cautela.
Eu sabia que estava lidando com uma área ainda cercada por preconceito, desinformação e, às vezes, expectativas exageradas. Passei a avaliar cada caso considerando o diagnóstico, os medicamentos em uso, as possíveis interações e os objetivos do tratamento. Minha prática médica não mudou no sentido de abandonar a medicina convencional, mas posso dizer que ela se ampliou.
Prescrever Cannabis medicinal significa avaliar, de forma individualizada, se ela pode ser uma ferramenta terapêutica adequada para aquela pessoa. Uma noite de sono também pode ser uma grande conquista Com os pacientes, fui percebendo que nem sempre o sucesso de um tratamento aparece em um exame ou em uma grande mudança.
Às vezes, está na possibilidade de dormir melhor, sentir menos dor, ter mais disposição ou voltar a participar da rotina familiar. Um paciente me marcou especialmente. Ele não dormia bem havia meses, apesar do uso de medicamentos tradicionais. Depois da fase de ajuste dos óleos de Cannabis, houve melhora da ansiedade e do sono.
Com acompanhamento, iniciamos a diminuição e, posteriormente, a retirada das medicações que ele utilizava para dormir. Esse caso me mostrou que aquilo que parece pequeno para quem observa de fora pode representar uma conquista enorme para quem convive com uma doença crônica.
Conseguir dormir melhor, levantar-se com menos dor, voltar a trabalhar, brincar com os filhos, sair de casa ou simplesmente passar um dia com mais disposição pode significar uma verdadeira transformação. Nem preconceito, nem promessa de milagre Muitos pacientes chegam ao consultório depois de diferentes tentativas de tratamento. Alguns chegam esperançosos; outros, cansados, frustrados ou até desconfiados.
Além da doença, percebo medo, cansaço e, muitas vezes, culpa. Antes de falar em prescrição, é fundamental escutar a história daquela pessoa e compreender o que realmente está impactando sua vida. Ainda existem muitas barreiras para o acesso à Cannabis medicinal: o custo, a falta de informação qualificada, a desigualdade regional, a dificuldade de acompanhamento especializado e o preconceito.
E esse preconceito pode aparecer em dois extremos: quando a Cannabis é tratada exclusivamente como uma droga de abuso ou, no outro lado, como uma solução milagrosa. As duas visões podem prejudicar o paciente. Esperança e ciência podem caminhar juntas Minha própria experiência com a dor crônica transformou profundamente a maneira como compreendo quem sofre.
Hoje procuro ouvir o paciente com ainda mais atenção e compreender o impacto real da doença em sua rotina. Quando a dor deixa de ocupar todo o espaço da vida, a pessoa consegue voltar a se reconhecer. Quando penso no futuro da medicina canabinoide, imagino uma área com mais pesquisas clínicas, protocolos bem estabelecidos e profissionais cada vez mais preparados.
Espero também que o sistema endocanabinoide esteja mais presente na formação médica e nos cursos de atualização. Aprendi que esperança e ciência podem caminhar juntas. O paciente pode ter esperança de melhorar, e o médico deve acolher essa esperança sem criar falsas garantias. Nosso papel é oferecer informação segura, orientar com honestidade e acompanhar cada etapa do cuidado.
Importante Se você deseja entender se a Cannabis medicinal pode fazer sentido para o seu caso, o primeiro passo é contar com acompanhamento médico especializado. Na nossa plataforma de agendamento, você pode marcar uma consulta com profissionais experientes na prescrição de Cannabis medicinal, como a Dra. Elaine Goulart, para uma avaliação individualizada e segura.
