O uso de medicamentos à base de Cannabis na infância e adolescência exige avaliação individualizada, acompanhamento médico e atenção aos possíveis efeitos adversos. Em entrevista ao canal do Cannabis & Saúde no YouTube, a médica Viviane Vieira explicou quando considerar o uso de canabinoides e quais os cuidados necessários para garantir a segurança no tratamento.
Viviane tem formação em neurologia e psiquiatria da infância e adolescência. Durante a entrevista, ela compartilhou sua experiência com canabinoides no tratamento de sintomas como ansiedade, irritabilidade, agitação e dificuldades para dormir, inclusive em pacientes com autismo e transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH).
A especialista também abordou as diferenças entre CBD e THC, os riscos do uso de canabinoides durante o desenvolvimento do cérebro e a importância do acompanhamento multidisciplinar. Quando considerar a Cannabis para crianças? De acordo com Viviane, a prescrição de medicamentos à base de Cannabis depende das características de cada paciente, dos sintomas apresentados e da resposta a tratamentos anteriores.
A médica explica que costuma considerar essa alternativa principalmente quando os tratamentos convencionais não apresentam os resultados esperados ou provocam efeitos adversos que dificultam sua utilização. “Não é em todo caso que é a primeira escolha. Aliás, não é minha primeira escolha.
Eu guardo como ‘carta na manga’ para quando os medicamentos alopáticos não estão funcionando ou quando a criança já é polimedicada, já trocou, já teve vários efeitos colaterais e não tem melhora”, afirmou. Dra. Viviane Vieira, pediatria – CRM: 773220/RJ | RQE: 53440 Entre os sintomas que a médica busca controlar com o uso de canabinoides estão irritabilidade, agitação, ansiedade e alterações do sono.
Por que o medicamento não substitui as terapias? Um dos pontos destacados pela pediatra é que os medicamentos à base de Cannabis não substituem o acompanhamento de outros profissionais de saúde. No atendimento de crianças e adolescentes, diferentes profissionais podem atuar em conjunto, incluindo médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos.
Cada especialista contribui para atender às necessidades do paciente em sua área de atuação. Essa abordagem com profissionais de diferentes áreas, chamado de multidisciplinar, combina diferentes tratamentos com o objetivo de melhorar a qualidade de vida e favorecer o desenvolvimento da criança. “Não adianta dar só o remédio, o remédio não ensina comportamento.
Vai acalmar, vai diminuir a ansiedade, mas o comportamento é ensinado por um profissional da equipe multidisciplinar”, explicou Viviane. Para a médica, a redução da ansiedade e da agitação também pode facilitar a participação dos pacientes nas atividades terapêuticas.
Desse modo, os medicamentos à base de Cannabis podem integrar um plano de cuidados mais amplo, que inclui tratamentos adaptados às necessidades de cada paciente e acompanhamento contínuo. CBD e THC: quais os cuidados durante a infância A planta Cannabis contém diversos canabinoides.
Entre os mais conhecidos estão o canabidiol (CBD) e o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), que apresentam características e formas de agir diferentes no organismo. O uso do THC, conhecido pelos efeitos psicoativos, exige cautela ainda maior devido aos possíveis impactos no desenvolvimento do cérebro.
“Na criança muito pequena, uso o THC com muita cautela ou não uso, porque pode, sim, causar danos ao desenvolvimento”, afirmou. Por isso, a escolha da formulação deve considerar a idade do paciente, os sintomas que se pretende tratar e os possíveis efeitos adversos, destacou a pediatra.
Dosagem, efeitos adversos e segurança no tratamento O tratamento com medicamentos à base de Cannabis exige cuidados com as doses administradas, a resposta do paciente e as possibilidade de interações com outros medicamentos. Viviane explicou que costuma iniciar o tratamento com doses baixas e aumentá-las gradualmente, método conhecido como titulação.
Esse processo permite observar a resposta aos efeitos antes de aumentar a quantidade utilizada. Entre os possíveis efeitos adversos, a médica mencionou sonolência, alterações do apetite e, em determinadas situações, aumento da agitação.
A pediatra também destacou a importância de avaliações laboratoriais durante o acompanhamento, especialmente para observar o funcionamento do fígado e dos rins, de acordo com as características do paciente e dos medicamentos utilizados. “Eu sempre peço exames de sangue periódicos porque não é um ‘remedinhos fitoterápico’, não é um ‘chazinho’, é remédio”, ressaltou. Outro cuidado envolve a origem dos produtos.
A médica recomenda atenção à qualidade, à composição e às condições de armazenamento dos medicamentos utilizados. Viviane reforçou ainda que os canabinoides não são uma solução imediata ou milagrosa para todos os pacientes. A avaliação de cada paciente e o acompanhamento profissional são fundamentais para definir o tratamento e estabelecer expectativas realistas sobre os resultados.
Para conhecer mais detalhes sobre os cuidados com o uso de medicamentos à base de Cannabis na infância e adolescência, assista à entrevista completa com a Dra. Viviane Vieira. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica.
Pais e responsáveis interessados nessa possibilidade de tratamento para crianças ou adolescentes devem buscar orientação profissional. O Cannabis & Saúde também disponibiliza uma plataforma de agendamentos para consultas presenciais ou por telemedicina com médicos experientes na prescrição de canabinoides.
