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Estudo testa CBD e THC para dor crônica da artrite e da espondilite

Cannabis & Saúde 15/09/2026 14:13

Um ensaio clínico realizado na Dinamarca observou possíveis benefícios do ∆9-tetrahidrocanabinol (THC) no controle da dor crônica em pacientes com artrite reumatoide ou espondilite anquilosante. O estudo mostrou que o canabidiol (CBD) isolado, em doses de até 30 mg por dia, não foi superior ao placebo para reduzir a dor. Já a adição de THC em baixa dose foi associada a maior alívio da dor e melhora do sono.

A pesquisa acompanhou 66 pacientes com dor persistente apesar da baixa atividade inflamatória. Na primeira etapa, os participantes receberam CBD ou placebo. Na etapa seguinte, pacientes que não responderam ao CBD passaram a receber THC, em doses de 2,5 mg a 7,5 mg por dia.

No entanto, os resultados com THC vieram de uma fase aberta e exploratória do estudo e ainda precisam ser confirmados em estudos duplo-cegos e controlados. Estudo começou testando CBD isolado Participaram da pesquisa pessoas com artrite reumatoide ou espondilite anquilosante que continuavam sentindo dor apesar de apresentarem baixa atividade inflamatória.

Isso significa que, nesses pacientes, a inflamação da doença estava relativamente controlada, mas a dor persistia. Os pesquisadores selecionaram esse grupo para investigar formas de tratar uma dor que parecia não depender apenas da inflamação ativa. Na primeira fase, que durou 12 semanas, os participantes foram divididos em dois grupos. Um recebeu CBD isolado e o outro placebo. O CBD começou em 10 mg por dia.

A dose podia ser aumentada para 20 mg por dia e, entre os participantes que não apresentassem redução suficiente da dor, chegar a 30 mg por dia. O principal objetivo era verificar quantos pacientes conseguiriam reduzir a dor em pelo menos 20 pontos em uma escala de 0 a 100.

CBD isolado não superou placebo contra a dor Ao final das 12 semanas, 10% dos pacientes que receberam CBD atingiram uma redução da dor superior a 20 pontos. No grupo placebo, esse percentual foi de 28%. A redução média foi de 3,63 pontos entre os participantes que receberam CBD isolado e de 10,97 no grupo placebo. Essa diferença entre os grupos não foi considerada estatisticamente significativa.

Com THC, resultados foram diferentes Depois da primeira etapa, os participantes que não haviam respondido ao tratamento seguiram para uma nova fase de 12 semanas. Quem havia recebido placebo passou a usar CBD. Já os pacientes que não responderam ao CBD isolado passaram a receber também THC. O THC começou em 2,5 mg por dia.

Depois, a dose poderia subir para 5 mg e, caso a resposta ainda fosse insuficiente, chegar a 7,5 mg por dia. Nessa segunda etapa, 39% dos participantes que receberam a combinação de CBD com THC alcançaram a redução da dor considerada clinicamente relevante no estudo. Entre aqueles que continuaram apenas com CBD, a taxa foi de 8%. No grupo CBD + THC, a redução foi de 20,04 pontos.

No grupo que recebeu apenas CBD, foi de 4,25 pontos. Esses resultados levaram os pesquisadores à hipótese de que a adição do THC poderia ter contribuído para um efeito analgésico que não apareceu com o CBD isolado. Diferença também apareceu na qualidade do sono Na primeira etapa do estudo, os pacientes que receberam CBD apresentaram resultado pior no índice de qualidade do sono em comparação com o grupo placebo.

Já na fase em que o THC foi acrescentado, o grupo CBD + THC apresentou maior melhora no sono em relação ao grupo que permaneceu apenas com CBD. Os autores levantam a possibilidade de que a melhora do sono possa estar relacionada também à percepção da dor, mas essa relação ainda precisa ser investigada com mais detalhes.

Por que os resultados com THC exigem cuidado Apesar dos números favoráveis, os resultados da fase com THC devem ser vistos com cautela. Ao contrário da primeira etapa, essa parte do estudo foi aberta: tanto os pesquisadores quanto os pacientes sabiam qual tratamento estava sendo administrado. Esse tipo de formato pode aumentar a influência das expectativas sobre os resultados.

Por isso, os autores classificaram os dados com THC como exploratórios. Nesse contexto, o CBD isolado, nas doses de até 30 mg por dia, não apresentou benefício relevante contra a dor crônica de pacientes com artrite reumatoide ou espondilite anquilosante com baixa atividade inflamatória. Por outro lado, a inclusão do THC em doses baixas, de até 7,5 mg por dia, foi associada à melhora da dor e do sono.

Os próprios autores defendem a realização de ensaios maiores, duplo-cegos e controlados, além de estudos que testem outras doses, diferentes proporções de CBD e THC e até o THC isolado. O acesso à Cannabis no Brasil No Brasil, a Anvisa autoriza o uso de medicamentos à base de Cannabis com prescrição médica. Aqueles que desejam incluir derivados da planta no tratamento devem buscar orientação profissional.

Por meio da plataforma de agendamento do Cannabis & Saúde, é possível marcar uma consulta presencial ou por telemedicina com médicos experientes nesse tipo de terapia.

Créditos: Cannabis & Saúde.